Governo estuda medidas de apoio aos agricultores e produtores pecuários
Seca
18 de mai. de 2023, 09:39
— Lusa/AO Online
“Estamos a estudar e a ver aquilo
que é possível fazer”, respondeu a ministra da Agricultura e
Alimentação, Maria do Céu Antunes, ao ser questionada pela agência Lusa
sobre se estão previstas novas medidas de apoio contra a seca, em Beja.A
governante realçou que o seu ministério está a “trabalhar internamente
para perceber que outro nível de apoios é que será necessário” adotar
para ajudar agricultores e produtores pecuários, admitindo que “a
situação é, de facto, muito gravosa”.Maria
do Céu Antunes falava aos jornalistas na sede da Empresa de
Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), em Beja, após
participar numa reunião de apresentação e discussão sobre a iniciativa
“Livro Branco para o Regadio Público”.Segundo
a ministra, com o reconhecimento de seca severa e extrema em cerca de
40% do país, os agricultores passaram a beneficiar de medidas para que
“não sejam penalizados nas suas obrigações quando receberem os apoios a
que se candidataram”.“No caso de uma seara
que o nível de produtividade faz com que não seja possível fazer a
colheita, essa seara pode ser utilizada para a pastorícia” e o
agricultor pode invocar a seca para não perder as ajudas a que tinha
direito, exemplificou.A utilização de
terras em pousio sem penalização, uma produção de arroz que não atinja
um determinado nível mantém os apoios ou a produção de animais em modo
biológico ou integrada poderá utilizar alimentos não certificados são
outros exemplos.Questionada pela Lusa
sobre se estão a ser equacionados apoios financeiros diretos aos
agricultores, a governante respondeu que a tutela “ainda não tem nada
preparado”.Maria do Céu Antunes assinalou
que o Governo português tem defendido junto da Comissão Europeia que as
ajudas extraordinárias devem advir de “fundos comunitários e não
exclusivamente dos orçamentos nacionais”.“Há
uma penalização dos Estados-membros, nomeadamente os que têm menos
recursos e orçamentos menores, e isso coloca os nossos agricultores, num
mercado que é comum, em desvantagem”, argumentou.Quanto
ao “Livro Branco para o Regadio Público”, a titular da pasta da
agricultura indicou que a iniciativa está a ser coordenada pela
Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR) com o apoio
da EDIA.“No final de julho, queremos ter o
livro branco já alinhavado para o podermos disponibilizar e, depois,
estabelecemos um calendário entre três a quatro meses para passar a
materializar e hierarquizando aquilo que é necessário fazer”, adiantou.A
ministra revelou ainda também tem pedido a Bruxelas um programa
específico para o uso eficiente da água, nomeadamente na agricultura,
assinalando que o que foi lançado para o setor da energia teve
resultados.“Também sabemos que a água
é absolutamente fundamental. Que consigamos garantir também essa mesma
autonomia estratégica para nos dar a possibilidade de produzir mais com
menos”, acrescentou.O Ministério da
Agricultura e da Alimentação, tutelado por Maria do Céu Antunes,
reconheceu, no dia 08 deste mês, a situação de seca severa e extrema em
cerca de 40% do território nacional.Em
comunicado, o ministério garantiu ter sinalizado a situação junto da
Comissão Europeia, acrescentando que a adoção de um conjunto de medidas
está sempre dependente da “luz verde” de Bruxelas.