Governo espanhol avança no sábado com suspensão da autonomia
19 de out. de 2017, 09:33
— Lusa/AO Online
Num
comunicado enviado às redações, o gabinete do primeiro-ministro
espanhol explica que, na reunião de sábado, irá tomar “as medidas que
serão levadas ao senado [câmara alta] a fim de proteger os interesses
gerais dos espanhóis, entre eles os dos cidadãos da Catalunha, e
restaurar a ordem constitucional na Comunidade Autónoma”.O
presidente do Governo catalão insistiu hoje numa carta enviada para
Madrid que “a suspensão [da declaração de independência] continua em
vigor”, mas ameaça votar formalmente essa independência no parlamento
regional se Madrid avançar com a suspensão da autonomia regional.No
comunicado, Madrid “constata” que hoje às 10:00 (09:00 em Lisboa), “o
último prazo estabelecido”, o presidente da Generalitat (Governo
regional) deu uma “negativa” ao requerimento em que se pedia para
esclarecer “de forma clara e precisa” se alguma autoridade catalã tinha
declarado a independência.O executivo espanhol assegura que irá
colocar “todos os meios que tem ao seu alcance para restaurar quanto
antes a legalidade e a ordem constitucional, recuperar a convivência
pacífica entre cidadãos e travar a deterioração económica” na Catalunha.Na
carta em que responde ao Governo espanhol, Carles Puigdemont sublinhava
que, “se o Governo do Estado [espanhol] persiste em impedir o diálogo e
continua a repressão”, o parlamento regional “poderá proceder, se
estimar ser necessário, votar a declaração formal de independência que
não votou no dia 10” de outubro.Madrid tinha dado na
segunda-feira uma “última oportunidade”, até as 10:00 (09:00 de Lisboa)
de hoje, ao executivo catalão antes de ativar o artigo 155 da
Constituição espanhola e “repor a legalidade” na comunidade autónoma da
Catalunha.Carles Puigdemont vem agora esclarecer que, aquando da
sua ida em 10 de outubro último ao parlamento catalão, “não votou”
nenhuma declaração de independência e sublinhar que a sua “suspensão
continua em vigor”.“Apesar de todos os nossos esforços e da nossa
vontade de diálogo, tendo a única resposta sido a suspensão da
autonomia, isso indica que não se está consciente do problema e que não
se quer falar”, conclui Puigdemont na carta enviada no início da manhã.Madrid
deverá assim avançar no sábado com medidas que ainda não são conhecidas
para aplicar o artigo 155 da Constituição espanhola e passar a assumir o
controlo da Catalunha, uma situação inédita desde a transição
democrática iniciada em 1977.