Governo espanhol admite rever data de encerramento da central nuclear de Almaraz
31 de jul. de 2025, 16:49
— Lusa/AO Online
De
acordo com a agência AFP, numa carta dirigida aos presidentes dos
conselhos de administração da Iberdrola e da Endesa, a que o diário
espanhol ‘El Pais’ teve acesso, a ministra da Transição Ecológica Sara
Aagesen afirmou-se disposta a reabrir o debate sobre a data de
encerramento prevista para várias centrais do país, decidida em 2019.“O
Governo está aberto a avaliar uma mudança de calendário, na condição de
que as exigências em matéria de segurança sejam respeitadas e que isso
não represente um custo acrescido para os consumidores”, confirmou a AFP
junto de uma fonte ministerial.A
Iberdrola e a Endesa tinham proposto em junho, numa carta dirigida à
ministra, uma revisão do calendário de encerramento das centrais
nucleares, sobretudo a de Almaraz, na Estremadura espanhola, junto à
fronteira com Portugal, que deveria ser encerrada em 2028.O
abandono total do nuclear em Espanha estava previsto para 2035, segundo
uma decisão de 2019 no quadro do Plano Nacional para a Energia e o
Clima, com o aval das empresas energéticas envolvidas: Endesa,
Iberdrola, Naturgy e a portuguesa EDP.No
entanto, há meses que existe pressão pelos defensores do nuclear para
revisão do calendário, alegando um risco para o fornecimento elétrico no
país, tendo havido uma intensificação das críticas após o apagão
ibérico de 28 de abril.Numa mensagem na
rede social Bluesky, a ministra do Trabalho Iolanda Diaz, do partido de
esquerda radical Sumar, e que integra em coligação o executivo liderado
pelo socialista Pedro Sánchez, reiterou a sua oposição a qualquer
revisão do calendário.“Prolongar o tempo
de vida das centrais nucleares vai contra o plano de transição ecológica
do Governo e da implementação de renováveis. Há anos que Espanha
encerrou esse debate e os prazos de encerramento são muito claros. Não o
permitiremos”, alertou a ministra.No auge
do uso de energia nuclear, nos anos 1980, Espanha tinha oito centrais
nucleares, que forneciam 38% da eletricidade no país. Hoje, tem apenas
cinco, com sete reatores nucleares, que representam 20% da sua energia
elétrica.