Governo empenhado em que “nenhuma autarquia” aceite descentralização por imposição legal
8 de jan. de 2020, 13:34
— Sónia Miguel/Lusa
Em
entrevista à agência Lusa sobre descentralização de competências, a
ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra
Leitão, afirmou que a lei-quadro determina que as competências do
Estado central, “em 2021, serão transferidas, independentemente da
manifestação de aceitação dos municípios”, defendendo a criação das
condições para que as autarquias tenham vontade de integrar o processo.Apostando
num novo roteiro sobre descentralização, que se inicia hoje, com
reuniões em Beja, Grândola e Évora, e que inclui a visita às 21
Comunidades Intermunicipais (CIM) durante o mês de janeiro e, depois, em
fevereiro, às duas Áreas Metropolitanas do Porto e de Lisboa, o novo
ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública pretende
“falar com todos os autarcas” e recolher dúvidas, sugestões, críticas e
dificuldades sentidas no terreno.O
objetivo é que a operacionalização do processo de descentralização, “ao
longo do ano de 2020, seja o mais rápida possível, o mais sólida
possível”, indicou Alexandra Leitão, destacando o trabalho de
identificação das necessidades em termos de recursos humanos, materiais e
financeiros.Com o diagnóstico ‘in loco’, o
Governo vai fazer um relatório, até ao fim do primeiro trimestre deste
ano, que servirá para trabalhar com as autarquias e com os serviços da
administração central, no sentido de “resolver as situações que tenham
sido identificadas”.Relativamente ao
calendário da descentralização, em que a partir de janeiro de 2021, e
setembro de 2021 na área da educação, se prevê que todas as competências
estarão transferidas para todos 278 municípios do território
continental português, a ministra considerou que o prazo “é exigente,
mas exequível”.“Aquilo que hoje temos é
que quase todas as autarquias do continente aceitaram, pelo menos, uma
transferência e muitas aceitaram todas as competências”, apontou a
governante, realçando a importância do trabalho a desenvolver durante
este ano de “consolidação para quem já aceitou e de criação de condições
para quem falta aceitar”.No que se refere
à transferência de competências dos municípios para as freguesias,
“dois terços das freguesias do continente já aceitaram, já têm algumas
das competências transferidas”, verificando-se “com muito sucesso”, por
exemplo, no serviço do Espaço Cidadão.Outra
das vertentes do processo de descentralização tem a ver com as Áreas
Metropolitanos e as CIM, que assumem “um papel importantíssimo” na
tomada de decisão e na operacionalização de políticas públicas que
impliquem um nível decisório mais supra municipal, como a participação
na definição da rede do ensino profissional ou no Programa de Apoio à
Redução do Tarifário dos Transportes Públicos (PART).“Todos
os decretos-leis que pressupõem transferência de competências para as
CIM, naquelas onde as autarquias também já as assumiram, estão a
executar, a exercer as funções nos termos que estão previstos”, disse
Alexandra Leitão.Com a preocupação de
garantir a equidade do sistema e um aumento de qualidade dos serviços
públicos, a ministra reforçou que “o objetivo do Governo é levar a bom
porto a descentralização”, em que se inclui o processo de eleição
indireta dos presidentes das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento
Regional [CCDR], no primeiro semestre deste ano, o que representa “um
passo no sentido certo, mas não necessariamente no sentido da
regionalização, e muito menos no quadro da atual legislatura”.O
processo de descentralização em curso teve início prático em 2019 e
trata-se de um processo gradual, durante o qual cada município pode ir
assumindo faseadamente competências segundo a sua realidade, mas com o
objetivo de que, em 2021, todos desempenhem as competências nas 15 áreas
a descentralizar.O mais recente balanço
da Direção-Geral das Autarquias Locais (DGAL), atualizado em 04 de
dezembro, apresenta uma lista com 239 municípios que assumiram pelo
menos uma das 15 competências.Os restantes
39 que não constam nesta lista, entre os quais os concelhos e capitais
de distrito do Porto e Setúbal, não assumiram qualquer das competências.Outros cerca de 50 municípios assumiram todas as competências, entre os quais Lisboa, Coimbra e Faro.