Governo e PR fixaram critério da não renovação para cargos de natureza judiciária
6 de out. de 2020, 11:57
— Lusa/AO Online
António Costa transmitiu esta
posição depois de questionado pelos jornalistas sobre as razões que
levam o Governo a não reconduzir Vítor Caldeira no cargo de presidente
do Tribunal de Contas (TdC)."A lei, de
facto, não impede e renovação, mas o atual Governo e o atual Presidente
da República definiram um critério para funções de natureza judiciária -
funções que dependem de proposta do Governo e de nomeação do chefe de
Estado -, aquando da nomeação da procuradora Geral da República",
Lucília Gago, que substituiu Joana Marques Vidal, declarou o
primeiro-ministro.Por isso, de acordo com
António Costa, "seria estranho que, pouco tempo depois, se mudasse de
critério" com a escolha do novo presidente do TdC."Aí
é que haveria motivo para suspeitar de ter sido adotado um critério
para a procuradora Geral da República e outro para o presidente do
Tribunal de Contas. Poderia dizer-se que os critérios eram fixados à
medida do cargo e da personalidade. Um critério é um critério, bom ou
mau. Eram possíveis outros? Claro que eram. Mas este foi o critério que o
Governo e o Presidente da República fixaram", frisou o líder do
executivo em declarações aos jornalistas, depois de ter discursado na
sessão evocativa do centenário do nascimento de Amália Rodrigues no
Panteão Nacional, em Lisboa.Na resposta
aos jornalistas, o primeiro-ministro aproveitou para salientar que
Marcelo Rebelo de Sousa "explicitou de uma forma pública muito clara"
esse critério aquando da nomeação da atual procuradora Geral da
República."Quero aqui recordar que o TdC
já existia antes do conselheiro Vítor Caldeira ser presidente e vai
continuar a existir com as mesmíssimas funções e com a sua atual
composição. A única coisa que mudará é o seu presidente", disse.Neste
ponto, António Costa voltou a fazer um paralelismo com a metodologia
seguida para a Procuradoria Geral da República, alegando que "a mudança
que houve foi da titular do cargo de PGR"."Na
altura também se criou uma grande agitação, uma grande suspeição, mas
creio que hoje toda a gente reconhece que a atual PGR tem exercido as
suas funções com grande competência e grande eficiência. Todos os
motivos de suspeição que então se levantaram não se verificaram",
defendeu.Ou seja, para António Costa, "estranho seria se os critérios fossem desenhados à medida de cada um". "Um
critério é um critério - e este é o critério que o Presidente da
República e o Governo fixaram. Estamos a ser coerentes com os critérios
fixados. E isso é o normal", acentuou.Confrontado
com o facto de o antigo ministro socialista Guilherme d'Oliveira
Martins ter sido reconduzido no cargo de presidente do TdC, António
Costa respondeu: "Foi com outro Presidente da República e outros
governos".