Governo dos Açores vai elaborar estudo sobre impacto dos manuais digitais
20 de dez. de 2024, 09:39
— Lusa/AO Online
“Devemos completar
o caderno de encargos nos próximos dias, para podermos ter a
contratação já feita durante o mês de janeiro, pretendendo que este
processo de avaliação se inicie em janeiro ou fevereiro e com a duração
de 18 meses”, explicou a governante, durante uma audição na comissão de
Assuntos Sociais do parlamento açoriano, reunida na ilha Terceira.Sofia
Ribeiro foi ouvida pelos deputados na sequência de uma proposta
apresentada pela bancada do PS, o maior partido da oposição no
arquipélago, que defende a realização, no espaço de apenas seis meses,
de uma avaliação ao processo de introdução de manuais digitais nas
escolas da região.A titular da pasta da
Educação nas ilhas considerou, porém, que para analisar de forma
adequada o impacto das novas tecnologias nas aprendizagens dos alunos, e
por parte de uma entidade externa, é necessário mais tempo.“Precisamos de ter um período temporal para fazermos estas comparações”, defendeu.A
deputada socialista no parlamento açoriano Inês Sá lamentou, no
entanto, que o executivo regional de coligação PSD/CDS-PP/PPM não tenha
ainda dado início a um processo de avaliação da utilização dos manuais
digitais nos estabelecimentos de ensino no arquipélago.“Já
podíamos ter feito isto há algum tempo, se já tivéssemos preparado
isto, pelo menos, ao fim do primeiro ano de implementação dos manuais
digitais, já estaríamos hoje com uma base sólida, que nos permitisse
saber se é este ou não o caminho certo”, salientou a deputada do PS.António
Lucas, do Sindicato de Professores da Região Açores (SPRA), também
ouvido pelos deputados, concordou com a avaliação proposta pelos
socialistas e sugeriu que o processo seja feito com maior celeridade.“Sobre
as intenções do Governo de fazer a avaliação, eu não tenho
conhecimento, não ouvi. De qualquer forma, consideramos que é de toda a
pertinência começar-se a fazer essa avaliação, quanto mais cedo melhor”,
insistiu o dirigente sindical.Segundo
explicou, a introdução de manuais digitais nas escolas dos Açores
obrigou os professores a fazerem papel de “polícias” na sala de aula,
procurando saber o que é que os alunos estão a ver nos ‘tablets’ e nos
computadores."Eu, neste momento, faço mais
policiamento da sala de aula do que fazia com os manuais em papel”,
admitiu António Lucas, acrescentando que é difícil controlar o que é que
os alunos estão a consultar na Internet.Também
António Fidalgo, do Sindicato Democrático dos Professores dos Açores
(SDPA), defendeu uma avaliação ao impacto da utilização de manuais
digitais na região de forma célere.“O que
nos parece é que esse estudo deve ser realizado o mais depressa
possível. Não sei se o Governo Regional já tem noção do caderno de
encargos, dos contactos e das universidades que o vão fazer, mas que
rapidamente ele terá de ser feito, sim. O ideal seria que no próximo ano
letivo tivéssemos alguns dados credíveis”, insistiu António Fidalgo.O
sindicalista, que sugeriu que fossem ouvidos professores,
auxiliares, alunos e também encarregados de educação, a propósito do
estudo, considerou existir uma contradição em relação ao uso de novas
tecnologias nas salas de aula."Não podemos
estar a proibir os telemóveis e depois introduzimos o ecrã em todas as
aulas, permanentemente, das oito da manhã às cinco da tarde”, afirmou.A
introdução de manuais digitais nas escolas dos Açores arrancou há cerca
de dois anos, de forma experimental, e apenas para os alunos do 6.º e
9.º ano de escolaridade.