Governo dos Açores vai criar “apoio adicional” às conserveiras
28 de nov. de 2018, 17:26
— Lusa/AO Online
O
anúncio foi feito esta quarta-feira, na sede do parlamento regional, na cidade da
Horta, pelo secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui
Menezes, durante o debate das propostas de Plano e Orçamento do Governo
para 2019."Prevemos
um apoio adicional da região às conserveiras açorianas, que será
complementar ao apoio no âmbito do regime de compensação dos custos dos
produtos da pesca, de modo a compensar esta indústria transformadora,
dos custos decorrentes da sua localização ultraperiférica", explicou o
governante.O
secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia entende que este apoio
se justifica pelo facto de, atualmente, a União Europeia só conceder um
apoio de 240 euros por tonelada de atum laborado em fábrica, embora os
custos das conserveiras açorianas sejam superiores a 400 euros por
tonelada.João
Paulo Corvelo, deputado do PCP, questionou o Governo sobre a estratégia
que tem para o setor da indústria conserveira, uma vez que o executivo
já anunciou a intenção de alienar a maioria do capital social da Fábrica
de Conservas de Santa Catarina, na Ilha de São Jorge, que os comunistas
entendem que devia permanecer na esfera pública.Gui
Menezes insistiu que o Governo vai mesmo alienar 80% do capital da
conserveira de Santa Catarina, caso haja privados interessados no
negócio.Recorde-se
que, nos Açores, a indústria conserveira emprega cerca de 900
trabalhadores e labora cerca de 20 toneladas de atum por ano.Durante
o debate parlamentar, Luís Rendeiro, deputado do PSD, voltou a insistir
na necessidade de o Governo Regional reforçar as verbas para compensar
os custos com a tripolaridade (divisão por três polos: Ponta Delgada,
Angra do Heroísmo e Horta) da Universidade dos Açores."A
universidade dos Açores precisa de mais de 800 mil euros para a sua
tripolaridade e tem muitas dificuldades nesse aspeto. E todos nós, que
defendemos a tripolaridade, devemos pugnar para que ela seja possível e
viável", disse o parlamentar social-democrata, recordando que o seu
partido vai apresentar uma proposta de alteração para reforçar esse
montante.Também
o CDS-PP, liderado nos Açores pelo deputado Artur Lima, havia já
criticado na terça-feira o "insignificante valor proposto pelo Governo
Regional para apoiar a tripolaridade" da Universidade dos Açores, que
"permanece idêntico pelo menos desde 2012"."O
apoio específico à tripolaridade traduz-se apenas naquele que é
inscrito para esse efeito no âmbito do orçamento e este valor, pelo
tempo passado, pelos cálculos que a própria UAc realizou, é
manifestamente insuficiente”, sustentou a deputada centrista Rute
Gregório.Mas o
secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia recordou hoje que o
executivo socialista apoia a Universidade dos Açores muito além dos 350
mil euros destinados a cofinanciar os custos da tripolaridade,
recordando que, a somar a esses valores, estão outros apoios atribuídos a
projetos de investigação, que juntos somam mais do que os 800 mil euros
referidos."Estamos
a falar de valores que eu considero bastante bons, para aquilo que são
as despesas e os encargos gerais e muitos deles cobrem, necessariamente,
aquilo que são os efeitos da tripolaridade", explicou o governante.Por
seu lado, José Contente, deputado do PS, entende que as câmaras
municipais deviam também chegar-se à frente e ajudar a financiar a
tripolaridade em vez de exigirem que seja o Governo a suportar esses
encargos."Se
as câmaras municipais fizessem protocolos como deve ser, em Ponta
Delgada, Angra e Horta, no valor de 30 mil euros, e se as outras câmaras
todas fizessem protocolos de 16 mil euros, isso já dava, por ano, mais
350 mil euros para a tripolaridade dos Açores", sugeriu o parlamentar
socialista.O
deputado do BE António Lima mostrou-se preocupado com os pescadores que
não estão cobertos pelos seguros obrigatórios da atividade, por alegada
culpa dos armadores, que não os incluiram nas apólices, e propôs que o
executivo alterasse o diploma sobre o Fundo Pescas, no sentido de
penalizar os armadores que não cumpram a lei.O
secretário regional Gui Menezes recordou que os seguros da pesca são
obrigatórios e lembrou que essa é uma área que não compete ao Governo
fiscalizar.