Governo dos Açores toma “brevemente” posição sobre privatização da SATA
Hoje 17:14
— Lusa/AO Online
“O
Governo [Regional] formalmente vai debruçar-se sobre os documentos que o
conselho de administração [da SATA] remeteu, ou está remetendo, e,
naturalmente, a seu tempo, brevemente, dará a sua posição”, disse Duarte Freitas aos jornalistas.O
governante falava no concelho das Lajes do Pico, no primeiro dia de uma
visita estatutária do executivo à ilha do Pico, quando questionado sobre
o processo de privatização da companhia aérea açoriana e relativamente à
posição hoje assumida pelo consórcio Atlantic Connect Group (ACG). O
ACG considerou que o processo de privatização da Azores Airlines “nunca
teve uma verdadeira intenção de conclusão”, criticando a atuação da
administração da SATA e do Governo Regional dos Açores.“O
Atlantic Connect Group considera que, com ou sem divulgação do
relatório, o desfecho da privatização da Azores Airlines revela uma
realidade que já não pode ser ignorada: trabalhadores e investidores
participaram num processo que nunca teve uma verdadeira intenção de
conclusão”, afirmou o consórcio em comunicado.O
agrupamento de empresas sustentou que, ao longo de três anos,
estruturou “uma proposta exigente, ajustada à realidade financeira” da
companhia aérea açoriana e “abriu canais de diálogo com pilotos e
tripulantes”, acrescentando que a situação da empresa e o seu futuro
foram discutidos com “realismo”, sem promessas de “soluções fáceis”,
tendo os trabalhadores respondido com “responsabilidade, autonomia e
maturidade, ao celebrarem acordos de estabilidade laboral” e acordos com
sindicatos, mas que foram “simplesmente ignorados” pelo júri do
procedimento.Para o consórcio, “ao chumbar
a proposta do Atlantic Connect Group, o conselho de administração da
SATA optou por manter problemas que são estruturais e que antecedem este
processo” de privatização", nomeadamente "a não separação dos Serviços
Partilhados, apesar das obrigações decorrentes da decisão da Comissão
Europeia, o aumento significativo do número de trabalhadores entre 2022 e
2025 sem reforço da frota e a tentativa de impor ao comprador a
assunção definitiva de obrigações" que, segundo o caderno de encargos,
deveriam ser ajustadas num período de transição.O
consórcio criticou o Governo dos Açores e a administração da SATA,
defendendo que “não podem tratar os trabalhadores como variável
secundária numa estratégia política”.Alertou
ainda que, se o Governo Regional e a administração da SATA "não
assumirem com clareza as consequências deste desfecho", os investidores e
trabalhadores "terão legítimas razões para se sentirem figurantes" e
"concluírem que participaram num processo cujo resultado estava
previamente definido".O ACG apresentou a 24 de novembro de 2025 uma proposta de 17 milhões de euros por 85% da capital social da Azores Airlines.A 28 de janeiro, o júri da privatização da Azores Airlines anunciou que
iria propor a rejeição da proposta do consórcio admitido no concurso por
entender que não “salvaguarda os interesses” da SATA e da região.Após a contestação do consórcio, o júri elaborou o relatório final e remeteu para o conselho de administração da SATA.Na sexta-feira, o ACG manifestou “profunda preocupação” com a fase final da privatização da Azores Airlines.Ainda
na sexta-feira, a administração da SATA, numa nota enviada à Lusa,
anunciou que vai propor ao Governo dos Açores que o processo de
privatização da Azores Airlines “seja encerrado sem adjudicação” ao
único consórcio admitido, por motivos de “interesse público”.Em
junho de 2022, a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa
para apoio à reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de
euros em empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma
reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de
controlo (51%).