Governo dos Açores "tem sido solidário" com quebra de rendimentos na agricultura
10 de nov. de 2021, 18:33
— Lusa/AO Online
"A política deste XIII Governo tem sido uma
política no sentido de ser solidária”, afirmou José Manuel Bolieiro, em
declarações aos jornalistas, após ter recebido em audiência a ministra
da Agricultura, e quando questionado sobre a marcha lenta que os
produtores de leite e de carne da ilha Terceira, agendaram para
sexta-feira, em protesto pelo preço pago pela indústria.De
acordo com o chefe de Governo, “é preciso, através do diálogo e da
concertação, coisa que o Governo nos Açores tem feito, encontrar entre a
produção, a transformação e a comercialização uma ideia de distribuição
equitativa e justa dos rendimentos".José
Manuel Bolieiro lembrou que se "vivem períodos de transição quanto aos
hábitos de consumo", daí a necessidade de se apostar "mais em bens
transacionáveis de valor acrescentado para garantir mais rendimento". “Temos
incentivado que, na fileira do leite, possamos fazer do leite
matéria-prima em vez de produto final, para garantir que possamos
apostar em produtos de valor acrescentado e de identidade", afirmou.A
ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, lembrou que o setor
leiteiro "produz hoje em Portugal bem mais do que aquilo que é a
capacidade [do país] para consumir” e de exportação. A
governante referiu que "o consumo se alterou" e "o mercado também", daí
a necessidade de "valorizar o produto em toda a fileira"."Estando
nós no arquipélago que produz queijo de excelente qualidade, se calhar
vamos ter de pensar como é que podemos valorizar a fileira para tirar
partido disto mesmo”, observou.De acordo
com a ministra, “há um esforço e um desafio pela frente que é o olhar
também para as tendências de consumo e olhar para aquilo que cada região
pode e deve fazer para poder valorizar toda a cadeia da fileira do
leite”.Os produtores de leite e de carne
da ilha Terceira, nos Açores, vão fazer uma marcha lenta, com tratores e
carrinhas, em Angra do Heroísmo, na sexta-feira, em protesto pelo preço
pago pela indústria.“A manifestação é
para mostrar a indignação dos produtores e para perceberem que não é só o
presidente da associação que manifesta o descontentamento. Há um
descontentamento geral, quer dos produtores de leite, quer dos
produtores de carne da ilha Terceira”, adiantou na terça-feira, em
declarações à Lusa, o presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira
(AAIT), José António Azevedo.Segundo o
dirigente, a ideia partiu de um grupo de produtores, que pediu apoio à
associação na organização de uma manifestação, em que esperam uma adesão
elevada.“Neste momento já temos a garantia de mais 100 tratores com reboques”, avançou José António Azevedo.A
manifestação surge na sequência do anúncio do aumento de um cêntimo no
preço do litro de leite pago aos produtores das ilhas Terceira e
Graciosa, pela União das Cooperativas de Laticínios Terceirense
(Unicol).