Governo dos Açores tem 15 obras de proteção costeira em curso
7 de fev. de 2023, 18:19
— Lusa
“Ilhas
como os Açores de pequenas dimensões, remotas, dispersas são
especialmente vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas e esses
efeitos já se têm vindo a sentir de forma evidente, nomeadamente ao
nível da atividade ciclónica e de períodos de precipitação intensa, como
aconteceu com o [furacão] Lorenzo, e isso obriga a que tenhamos de
criar condições de adaptação e mitigação desta nova realidade, que é
inevitável”, afirmou o titular da pasta do Ambiente nos Açores, Alonso
Miguel.O governante falava aos jornalistas
à margem da inauguração de uma obra de proteção costeira na freguesia
de São Mateus, na ilha Terceira, orçada em cerca de 600 mil euros e
comparticipada em 80% por fundos da recuperação do furacão Lorenzo, que
passou pelo arquipélago em outubro de 2019.Alonso
Miguel assegurou que as obras de proteção costeira têm sido uma
prioridade do atual executivo regional (PSD/CDS-PP/PPM), que “tem em
preparação e em curso um conjunto de 15 obras de proteção da orla
costeira, que representam um investimento de cerca de 20 milhões de
euros a executar até 2025”, em oito das nove ilhas do arquipélago.O
secretário regional do Ambiente e Alterações Climáticas reconheceu que
há outras zonas a necessitar de intervenção, mas salientou que não é
possível avançar em todas ao mesmo tempo.“A
orla costeira das nossas ilhas é muito extensa e tem de se fazer uma
priorização das intervenções, tendo em conta, com certeza, em primeira
instância, a salvaguarda de pessoas e de bens, mas também os resultados
que vão sendo obtidos das várias políticas que estão em curso”, frisou.O
governante destacou a criação de instrumentos de planeamento para dar
resposta ao aumento da frequência de fenómenos extremos, como a
cartografia de risco para mitigação e adaptação às alterações
climáticas, o sistema de alerta de cheias em bacias de risco e a revisão
de planos de ordenamento da orla costeira.O
presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo (PS), responsável
pela obra inaugurada hoje, realçou a importância da intervenção não só
para assegurar a proteção de habitações e embarcações, mas também pela
criação de um troço, que permite alargar um percurso pedonal à beira mar
existente na freguesia de São Mateus para cerca de 2,5 quilómetros.“Na
zona do Biscoitinho, há uma proteção para evitar que o mar galgue a
zona de estacionamento de embarcações e evitar que aconteça o que
aconteceu no furacão Lorenzo, em que as embarcações que lá estavam
ficaram em perigo”, salientou o autarca de Angra do Heroísmo, Álamo
Meneses.Questionado sobre as críticas de
um grupo de surfistas à obra, Álamo Meneses disse que a intervenção não
interferiu com a onda que existia no local e já deu provas de eficácia
na proteção de habitações.“A minha fé na
engenharia aumentou. A onda continua ali, como se pode ver, não
aconteceu nada com ela. A praia de cascalho continua onde estava. Já
houve uma tempestade grande e se não fosse esta obra teríamos tido o mar
a entrar ali e não entrou”, sublinhou.O
autarca, que já foi secretário regional do Ambiente num executivo
socialista, admitiu que as obras feitas à beira-mar são “muito caras”,
mas apelou à intervenção noutra zona da freguesia de São Mateus em que
“a estrada está ameaçada”, devido a infraescavação, e na freguesia do
Porto Judeu, onde há “habitações demasiado próximo do mar”.“Estamos
longe de concluir este processo. Ainda há muito que investir no sentido
da proteção costeira adequada, até porque este é um problema que tem
tendência a crescer e não a diminuir. Temos cada vez mais tempestades de
mar e situações recorrentes”, alertou.