Governo dos Açores sem margem orçamental para medidas de combate
Covid-19
16 de dez. de 2020, 11:20
— Lusa/AO Online
No seu parecer sobre as contas de 2019 do
Governo dos Açores e do parlamento regional, entregues em Ponta
Delgada, ao presidente da Assembleia, Luís Garcia, pelo presidente do
Tribunal de Contas, José Tavares, a instituição refere a “importância da
prestação de contas pelas entidades que de facto exercem funções de
tesouraria e identifica riscos de sustentabilidade das finanças públicas
regionais”.“Em causa estão os défices
orçamentais, o agravamento da dívida pública, excedendo a capacidade de
endividamento legalmente fixada, saldos primários negativos,
responsabilidades contratuais futuras elevadas e necessidades de
financiamento para os próximos anos consideráveis”, é apontado no
relatório.O TdC refere que esta posição
“poderá agravar-se com a pandemia da covid-19, dada a inexistência de
margem orçamental para acomodar as medidas excecionais que têm sido
adotadas no combate à crise que lhe sucedeu, particularizando o caso do
sector da aviação civil e do grupo SATA”.No
relatório do TdC, é apontado que no capítulo de responsabilidades
futuras, os Açores terão “necessidades de financiamento, até 2023, de
1.593 milhões de euros”, sendo que 1.139 milhões se destinam à
amortização do ‘stock’ de dívida.Os
encargos com as parcerias público-privadas e os contratos de cooperação
com autarquias locais atingem os 691 milhões de euros, enquanto as
responsabilidades contingentes com as garantias pessoais foram de 266
milhões (914ME, em 2018).As cartas de conforto atingiram o montante de 174 milhões de euros contra os 189 milhões de 2018.Os saldos orçamentais em termos de défice primário foram de igual montante ao alcançado em 2018: 35 milhões de euros.A
Conta dos Açores de 2019 aponta que a receita total foi de 1.848
milhões de euros, a receita efetiva de 1.198 milhões e a fiscal de 695
milhões.As transferências para a região
atingiram os 425 milhões de euros, enquanto a despesa total foi de 1.793
milhões e a efetiva de 1.280 milhões. As
despesas com pessoal atingiram os 541 milhões de euros, as verbas
distribuídas 368 milhões, tendo o défice orçamental sido de 82,9
milhões, enquanto o défice corrente deduzido das amortizações atingiu os
330 milhões.