Governo dos Açores responde em tribunal a privado que quer construir hotel em praia
30 de out. de 2019, 05:53
— Lusa/AO Online
“O
Governo Regional dos Açores assume a sua estratégia e dará as
respostas, em tribunal, de acordo com a sua estratégia e a legislação
que existe nesta matéria”, declarou a secretária regional da Energia,
Ambiente e Turismo, aos jornalistas, após ter sido ouvida na Comissão de
Economia sobre uma petição contra a construção da unidade hoteleira de
568 camas na Praia do Degredo, em Vila Franca do Campo, ilha de São
Miguel.A empresa Secailar, o promotor do
hotel, recorreu para o Tribunal Administrativo da decisão do Governo
Regional, que confirma a ação judicial, por discordar da decisão do
executivo açoriano.Referindo-se
especificamente à petição, Marta Guerreiro declarou que ela “é
extemporânea” porque “houve um pedido de prorrogação do prazo, concedido
através de resolução do Conselho do Governo, que caducou em junho de
2019”, sendo que, uma vez que a lei “não prevê a possibilidade de a
mesma ser prorrogada”, não há lugar a “qualquer aprovação” por parte do
executivo açoriano.A titular da pasta do
Turismo afirmou que isto foi explicado aos responsáveis pela empresa,
que poderá apresentar um novo projeto para apreciação em função da
legislação em vigor, “nomeadamente com base nas medidas cautelares do
Plano de Ordenamento Turístico da Região Autónoma dos Açores (POTRAA)”,
feitas aprovar pelo Governo Regional no parlamento, em julho. Segundo
Marta Guerreio, as medidas cautelares preveem que “qualquer operação
urbanística desta dimensão tenha de ter uma aprovação através de
resolução do Conselho do Governo e cumpra um conjunto de critérios em
consonância com as políticas de desenvolvimento turístico em vigor na
região”.É o caso da articulação com o
Plano Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores (PENTA) que
“aponta para unidades de pequena e média dimensão”, além de outros
fatores de natureza social, económica e ambiental.O
arquiteto Kol de Carvalho, primeiro subscritor da petição, entregue a
15 de julho no parlamento dos Açores, também foi ouvido na Comissão de
Economia e considerou que “não se perdeu a oportunidade”, apesar de só
ter sido ouvido para abordar esta matéria porque o POTRAA ainda se
mantém em vigor, além da questão judicial que entretanto surgiu.Kol
de Carvalho referiu que, tal como declarou Marta Guerreiro, o novo
documento do POTRAA está em condições de ir a Conselho do Governo dos
Açores, mas isto ainda não aconteceu, sendo que, posteriormente, tem de
baixar a uma comissão parlamentar para depois ser aprovado em plenário,
um processo moroso que cria “uma aberta para os fantasmas do turismo”.Para
o subscritor da petição, o processo está também a ser alimentado pelo
recurso para o Tribunal Administrativo por parte da empresa privada, que
poderá decidir pela prorrogação do prazo de construção ou não, estando
“tudo em aberto para repetir a dose” quando se deveria, na sua opinião,
privilegiar a construção em meio urbano, deixando a natureza para
unidades de turismo rural.O subscritor
considerou que o projeto “ultrapassa em muito os limites na região” e
apelidou-o de “elefante branco”, quando questionado sobre o modelo de
turismo sustentável que se pretende para os Açores por parte do deputado
do BE/Açores Paulo Mendes, que se manifestou preocupado com um conjunto
de projetos de grande dimensão que estão a surgir nos Açores.O
deputado socialista Carlos Silva recordou que o Governo dos Açores fez
aprovar na Assembleia Legislativa Regional, em junho, medidas cautelares
ao POTRAA que inviabilizam projetos que não são compatíveis pela sua
dimensão com o modelo de turismo sustentável que se pretende para os
Açores.As medidas cautelares foram
aprovadas em plenário com os votos favoráveis da maioria socialista, do
CDS-PP, do PCP e do BE, contra do PPM e abstenções do PSD.O
deputado social democrata António Viveiros questionou, por seu turno, a
governante sobre se estava tranquila face a eventuais pedidos de
indemnização por parte do privado, tendo esta referido que se estava a
falar de cenários hipotéticos e que o Governo Regional não espera
dúvidas jurídicas sobre esta matéria, estando confortável.