Governo dos Açores rejeita que precariedade esteja a aumentar na região
4 de dez. de 2019, 18:17
— Lusa/AO Online
“Os empregados por
conta de outrem com contratos sem termo, ou seja, que já estão nos
quadros, aumentaram 7% no último ano, representando já 77% do total do
emprego”, avançou a diretora regional do Emprego e Qualificação
Profissional, Paula Andrade, numa nota enviada à Lusa.O
comunicado surgiu em reação às declarações do coordenador do Sindicato
dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Bebidas e
Similares, Comércio, Escritórios e Serviços, Hotelaria e Turismo dos
Açores (SITACEHT) e da União de Sindicatos de Angra do Heroísmo (USAH),
Vítor Silva, que alertou hoje para o aumento da precariedade na região.“Para
o Movimento Sindical Unitário Açoriano, lamentavelmente a precariedade
do emprego continua a aumentar de ano para ano, uma vez que o emprego
criado é cada vez mais precário. Os contratos precários atingiam 23.400
trabalhadores no 1º trimestre de 2019 (24%). Em 2015, por exemplo, eram
18.500 (21,2%)”, avançou o dirigente sindical, em comunicado de
imprensa. Paula Andrade disse, no entanto,
que é “absolutamente falso afirmar que a precariedade laboral está a
aumentar de ano para ano e que isso significa que o desemprego irá
aumentar nos Açores”. “O SITACEHT
afirma-se mais preocupado em precipitar cenários irrealistas e esquece,
deliberadamente, a estratégia desenvolvida nos últimos anos pelo Governo
dos Açores, que tem permitindo, de forma sólida e sustentada, a redução
do desemprego e a criação de emprego mais estável e melhor remunerado
nos Açores”, afirmou.A diretora regional
do Emprego e Qualificação Profissional realçou, por outro lado, que os
dados do INE indicam que os Açores “têm hoje mais 8.442 empregos face ao
início da atual legislatura, há três anos, e que, só este ano, os
Açores criaram, em termos líquidos, mais 5.700 novos empregos”. “Para
este crescimento tem contribuído, sem dúvida, o trabalho que tem vindo a
ser desenvolvido pela Inspeção Regional do Trabalho (IRT), bem como as
medidas de apoio às empresas, disponibilizadas pelo Governo dos Açores,
que têm sido determinantes no aumento continuado do rendimento
disponível das famílias açorianas, contribuindo assim também para
reforçar a coesão social”, frisou.Numa
nota que assinalou a semana contra a precariedade, promovida pela CGTP
em todo o território nacional, o coordenador do SITACEHT e da USAH
salientou que a entrada no mercado de trabalho no arquipélago é “marcada
pela proliferação de empregos precários com baixos salários”,
acrescentando que essas condições atingem também “os trabalhadores com
profissões especializadas e qualificações elevadas”. “Oito
em cada dez empregos criados em termos líquidos não tinham vínculo
permanente, significando que o emprego criado não é estável, nem tem
qualidade”, apontou.Vítor Silva alertou
ainda para o trabalho irregular, alegando que entre janeiro e setembro
foram detetados nos Açores 794 trabalhadores nessa situação, um
acréscimo superior a 100 casos, em comparação com os registados entre
janeiro e dezembro de 2018.Destes casos,
342 eram considerados “trabalhadores fantasmas”, ou seja, sem contrato,
seguros de trabalho e descontos, tendo-se registado ainda 412
trabalhadores com contratos irregulares e 40 com falsos recibos verdes.