Governo dos Açores rejeita acusação de favorecimento ao futebol profissional
27 de out. de 2025, 19:04
— Lusa/AO Online
“Os
clubes desportivos não pagavam pela utilização dos relvados e nós
passámos a exigir, por protocolo, o pagamento das despesas de
manutenção, de obras de remodelação, com ganhos para todos”, justificou a
governante, ouvida na comissão de Assuntos Sociais da Assembleia
Legislativa dos Açores, reunida em São Miguel.Sofia
Ribeiro respondia assim às acusações da deputada regional do Chega
Hélia Cardoso de que o executivo regional estaria a
“privilegiar o desporto profissional, em detrimento do desporto amador”,
ao assinar um protocolo com a SAD do Santa Clara de cedência exclusiva
das instalações públicas desportivas por um período de cinco anos.A
titular da pasta do Desporto nos Açores recusou a ideia de qualquer
privilégio ao clube desportivo - que está na primeira Liga de futebol
nacional – lembrando que a alteração proposta pelo executivo, através do
protocolo, “faz com que o Santa Clara pague pela utilização do
recinto”, ao contrário do que acontecia até aqui.Os
deputados do PS disseram,
contudo, não compreender por que razão o Governo Regional abandonou a
ideia de abrir um concurso público para a utilização das infraestruturas
do Lajedo e tenha assinado, logo depois, um protocolo para a cedência
exclusiva daquelas instalações a um só clube, penalizando outros e até
os alunos das escolas mais próximas.Na
resposta, o deputado do PSD Joaquim Machado lembrou que o relvado do
complexo desportivo do Lajedo não era utilizado para aulas, como já
tinha explicado, numa outra audição parlamentar sobre o mesmo assunto, a
presidente da Escola Secundária Domingos Rebelo, em Ponta Delgada.O
parlamento dos Açores aprovou em setembro duas resoluções, uma proposta
pelo PS e outra pelo Chega, que recomendavam ao Governo a imediata
revogação do protocolo celebrado com a SAD do Santa Clara, de forma que seja
assegurada a gestão pública do complexo desportivo do Lajedo, com
utilização "prioritária e gratuita" por parte da comunidade escolar, de
jovens atletas e de clubes com escalões de formação.Uma
petição, que tem como primeiro subscritor Arsénio Furtado,
também foi entregue no parlamento, defendendo a manutenção da gestão
pública do complexo desportivo do Lajedo e a sua dedicação exclusiva ao
desporto escolar e à formação de jovens atletas.Anteriormente,
em comunicado, a Direção da Santa Clara Futebol SAD lamentou a postura
de alguns deputados sobre o tema, considerando um “inaceitável
desrespeito e até desprezo” alguns comentários feitos, alimentados pelo
“discurso odioso e elitista” de alguns parlamentares que, ao longo dos
anos, “assistem, revoltados, ao sucesso” do clube micaelense.“Estes
ataques, digamo-lo sem rodeios, revestem-se de um enorme oportunismo e
hipocrisia política, de algumas figuras do parlamento regional que fazem
caixa de ressonância de dirigentes insignificantes e sem obra,
mostrando simultaneamente um desconhecimento completo do funcionamento
do desporto açoriano”, referiu o clube açoriano.