Governo dos Açores reconhece que sobrecarga de trabalho nos matadouros leva a baixas médicas
29 de nov. de 2023, 06:53
— Lusa/AO Online
“Neste
momento, temos 37 baixas médicas. Mas não é da vontade dos
trabalhadores estarem de baixa. Isto resulta muito do esforço físico que
provém do seu trabalho”, explicou o governante, durante uma audição na
Comissão de Política Geral do parlamento açoriano, a propósito do novo
regime jurídico da carreira dos trabalhadores dos matadouros da região.Segundo
explicou, apesar de a região ter vindo a investir numa maior
mecanização no funcionamento dos matadouros, ainda existem tarefas que
não podem ser substituídas por máquinas e que continuam a exigir
“trabalho humano”.Apesar disso, o titular
da pasta da Agricultura nas ilhas espera que o novo regime jurídico das
carreiras dos trabalhadores dos matadouros, que está em discussão na
Assembleia Regional, possa fazer diminuir o número de baixas médicas, ao
introduzir uma maior diferenciação entre tarefas.“Ao
diferenciar as categorias, este diploma irá permitir que cada
trabalhador tenha uma funcionalidade diferente do outro, e evitar que
todos façam tudo”, justificou o governante em declarações aos deputados.Apesar
dessas explicações, a presidente do Instituto de Alimentação e Mercados
Agrícolas (IAMA), Carolina Câmara, também ouvida na Comissão de
Política Geral, entende que a polivalência dos trabalhadores dos
matadouros terá de manter-se, pelo menos, nas ilhas mais pequenas.“Apelo
ao bom senso, como é óbvio, atendendo à carga de trabalho que é muito
menor em alguns matadouros, para que as pessoas sejam polivalentes,
porque, se não, tem pessoas que irão trabalhar apenas uma hora ou duas,
uma vez por semana”, destacou aquela responsável.A
presidente do IAMA defende, por outro lado, que os trabalhadores dos
matadouros dos Açores possam reformar-se mais cedo do que a maioria do
cidadão comum, atendendo ao elevado esforço físico das funções que
exercem, embora essa alteração só possa ser autorizada pela Assembleia
da República.“O fator de sustentabilidade
nas reformas dos trabalhadores dos matadouros tem de ser eliminado para
que as pessoas possam reformar-se aos 55 anos de idade, já que tiveram
uma vida de maior desgaste nas suas profissões”, insistiu Carolina
Câmara.Os trabalhadores dos matadouros dos
Açores já auferem de um subsídio de risco, que corresponde a um aumento
de 33% sobre o seu vencimento base.