Governo dos Açores realça que precariedade “não acaba por decreto”
31 de mar. de 2022, 10:06
— Lusa/AO Online
“A
pobreza não está circunscrita a determinadas zonas, freguesias ou
municípios. A pobreza não está circunscrita aos desempregados. A
precariedade não acaba por decreto. Não basta aumentar os salários mais
baixos. Não basta aumentar o salário mínimo. Não basta aumentar as
transferências sociais”, afirmou Bastos e Silva.O
secretário regional falava na sessão de encerramento da conferência
"Combater a Pobreza: Retratos e Soluções", na qual substituiu o
presidente do Governo Regional, e que teve lugar no Teatro Micaelense,
em Ponta Delgada, sob a organização do Conselho Económico e Social dos
Açores (CESA).Bastos Silva destacou que o
“apoio público” do executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM) vai ser
“direcionado para incentivar as empresas a ultrapassar a carência de
formação” dos trabalhadores.“A estratégia
política de recuperação que os Açores necessitam no caminho para uma
maior equidade passa por maximizar a produtividade e o desempenho da
economia com mais criação de valor por via da inovação”, declarou.O
secretário regional considerou que os Açores têm um “modelo económico
de ténue crescimento, assente em baixos salários e em precariedade”, que
resultam das “baixas qualificações e da ausência de formação” dos
trabalhadores.“A intervenção do Governo
Regional deve centrar-se no desenvolvimento do futuro do trabalho. Só
ele pode alavancar resultados e crescimento. Só ele pode alavancar a
inovação. E tudo isso contribuirá também para a redução da pobreza e da
desigualdade”, advogou.O governante disse
ainda que o novo período de programação dos fundos europeus, o Programa
Operacional 2030, visa criar uma “agenda social de prosperidade” para a
região e “aliar” um “crescimento económico baseado na competitividade do
setor privado” com a “convergência social”.Na
sessão de encerramento, o professor universitário e sociólogo Fernando
Diogo alertou para a necessidade de a região ser “mais eficaz no combate
à pobreza”.“Destaco a questão da educação
e formação enquanto grande bloco de questões com impacto estruturador a
longo prazo na resolução desse problema e destaco a importância das
transformações na economia, no emprego e na saúde, na conciliação do
trabalho e família”, apontou, referindo-se às medidas para a mitigação
da pobreza.