Governo dos Açores reabilita 92 casas de antigos bairros norte-americanos na ilha Terceira
25 de out. de 2023, 14:46
— Lusa
“Contamos
nos próximos dias lançar o procedimento para os projetos de execução
desta empreitada e lançar a empreitada de reabilitação no primeiro
semestre de 2024”, adiantou o vice-presidente do executivo açoriano
(PSD/CDS-PP/PPM), Artur Lima, acrescentando que as obras deverão estar
concluídas “até dezembro de 2025”.O governante que tutela a área da Habitação falava à margem de uma visita ao bairro “Nascer do Sol”, na Praia da Vitória.Em
2015, quando reduziu o efetivo na base das Lajes, na ilha Terceira, a
Força Aérea norte-americana deixou de utilizar dois bairros, o “Nascer
do Sol” e o “Beira-Mar”, localizados junto à base, na Praia da Vitória,
com cerca de 450 casas, bem como uma escola com perto de 5.200 metros
quadrados.Em 2018, as infraestruturas
foram cedidas pela Força Aérea portuguesa ao Governo Regional dos Açores
(PS), que não chegou a avançar com a sua reabilitação.O
parlamento açoriano aprovou, em 2019, uma recomendação do Bloco de
Esquerda para que o executivo incluísse parte das habitações nas
respostas de habitação social e no mercado de arrendamento com custos
controlados.Segundo Artur Lima, a obra que
será agora lançada “não tem nada a ver com a proposta do Bloco de
Esquerda”, sendo as casas destinadas a arrendamento com opção de compra.O
vice-presidente do Governo Regional disse que o atual executivo, que
tomou posse em 2020, herdou habitações que ainda não estavam registadas.“Nem
segurança tinham. Deixaram destruir, vandalizar, roubar quase todo o
bairro Beira-Mar. O que falta fazer é registar legalmente, fazer o
loteamento e depois registar em nome da Região Autónoma dos Açores”,
avançou, sublinhando que o processo é “moroso”.Só para os 92 fogos que serão agora reabilitados foram necessários “dois anos” para concluir o registo.“Já
concluímos o processo de registo e loteamento. Foi um processo muito
difícil. Tivemos de fazer o registo de cada casa, de cada lote, e agora
está para registar em nome da Região Autónoma dos Açores. São os
procedimentos legais exigíveis”, explicou o governante.As
obras de reabilitação das 92 habitações, de tipologia T3 e T4, estão
orçadas em 5 milhões de euros, mas serão financiadas, na totalidade, por
fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).Em
causa está não apenas a manutenção dos edifícios, mas a adaptação à
eficiência energética e a adaptação dos sistemas de água e de
eletricidade, que eram iguais aos utilizados nos Estados Unidos da
América.Entretanto, o município da Praia
da Vitória já arrancou com as obras de saneamento básico, que têm um
custo de 1 milhão de euros.Quanto às
restantes casas do “Nascer do Sol” e do “Beira-Mar”, Artur Lima disse
que serão reabilitadas numa segunda fase, mas parte deverá ser utilizada
para atrair funcionários qualificados para a ilha Terceira.“A
ex-escola americana é um complexo com uma infraestrutura muito boa e
que dará para eventualmente fazer projetos de fixação de gente na área
da ciência e tecnologia”, afirmou.O
anterior executivo, que lançou em 2017 o projeto Terceira Tech Island,
previa instalar na antiga escola um polo de empresas de informática e
recuperar as casas para acolher programadores ligados ao projeto.Recentemente,
o presidente da Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo, Marcos Couto,
anunciou que a associação empresarial passaria a gerir o Terceira Tech
Island e pretendia aproveitar as antigas infraestruturas para instalar
empresas e uma escola de negócios.