Governo dos Açores quer “solução eficiente” para gestão de resíduos em São Miguel
20 de jan. de 2021, 11:35
— Lusa/AO Online
Questionado
sobre a posição do governo face à intenção dos municípios em construir
uma incineradora na ilha, Alonso Miguel destacou que o que “importa” é
encontrar uma “solução eficiente”.“No
entender do Governo Regional, o que importa neste sentido é garantir que
é encontrada uma solução eficiente para a gestão dos resíduos e também
garantir que todas as metas, nomeadamente de reciclagem são cumpridas e é
respeitada a hierarquia da gestão de resíduos”, afirmou o governante.Alonso
Miguel falava em Ponta Delgada após uma reunião com a Associação
de Municípios da ilha de São Miguel (AMISM), onde estiveram presentes
todos os presidentes de câmara daquela ilha.O secretário realçou que o entendimento da AMISM passa pela construção de uma central de valorização de resíduos.Segundo
disse, o executivo regional tem “toda a disponibilidade” para “procurar
uma alternativa” e para “proceder a novos estudos de viabilidade” sobre
essa solução.“O Governo Regional tem
interesse em que seja feita uma gestão eficiente dos resíduos na ilha de
São Miguel, independentemente da solução que seja encontrada”,
declarou.Alonso Miguel afirmou ser possível cumprir as metas comunitárias de reciclagem com a incineração.O
secretário avançou ainda que o processo de revisão do Plano Estratégico
de Prevenção e Gestão de Resíduos dos Açores (PEPGRA) já foi iniciado.“Na
realidade, existe um problema grave ao nível da gestão de resíduos na
ilha de São Miguel, onde cerca de 70% dos resíduos continuam a ter como
destino final o aterro sanitário. E isso é obviamente inaceitável e há
que encontrar rapidamente soluções para este problema”, destacou.Após
a reunião, o presidente da MUSAMI – Operações Municipais do Ambiente,
Ricardo Rodrigues, considerou a reunião “produtiva” e afirmou que o
secretário regional “não se pronunciou no sentido de aprovar ou
desaprovar” a construção de uma incineradora na ilha.“Se
houver projetos alternativos que resolvam os resíduos na ilha de são
Miguel, tratando-os de forma diferente, estamos aqui para colaborar
neste projeto. Digam-nos qual é e nós paramos imediatamente a central de
valorização energética”, salientou o também presidente da Câmara da
Vila Franca do Campo, em representação dos autarcas, referindo-se à
incineração.Em 2016, a Associação de
Municípios da Ilha de São Miguel decidiu, por unanimidade, avançar com a
construção de uma incineradora de resíduos, orçada em cerca de 60
milhões de euros.Além das contestações por
parte de associações ambientalistas, o concurso para a construção da
incineradora na maior ilha dos Açores esteve sob alçada da justiça
devido a queixas por parte de um dos concorrentes, a empresa
Termomeccanica, que foi excluída em detrimento do consórcio luso-alemão
formado pela CME e Steinmüller Babcock Environment.