Governo dos Açores quer reduzir dívida a fornecedores no setor da saúde
16 de mai. de 2025, 09:25
— Lusa/AO Online
“Com esta conversão de dívida
comercial em dívida financeira, vamos, naturalmente, trabalhar em
soluções que permitam regularizar dívida com mais de 30 dias aos nossos
fornecedores, e repor a sua confiança”, explicou a governante, ouvida
hoje na comissão parlamentar de inquérito ao incêndio no Hospital do
Divino Espírito Santo (HDES), reunida em Ponta Delgada.A
titular da pasta da Saúde na região referia-se a uma medida tomada pelo
Governo da República, durante a votação do Orçamento do Estado para
2025, que autorizou o executivo açoriano a transformar dívida comercial
em dívida financeira, permitindo a utilização de 75 milhões de euros
para regularizar dívidas a fornecedores do Serviço Regional de Saúde
(SRS).A governante garantiu também,
durante a audição parlamentar, que todas as despesas assumidas até agora
pela região, na sequência do incêndio que ocorreu no maior hospital dos
Açores, em 04 de maio do ano passado, são elegíveis para efeitos de
apoio do Governo da República, que assumiu o pagamento de 85% dessas
despesas.“Ainda há pouco tempo, durante a
sua vinda à região, esse assunto foi abordado com o atual
primeiro-ministro, ainda em exercício de funções, e aquilo que nos foi
transmitido é que mantinha os compromissos que já tinham sido firmados
no passado”, lembrou Mónica Seidi.A
secretária regional da Saúde e da Segurança Social insistiu também que
todas as opções tomadas pelo Governo Regional de coligação (PSD, CDS-PP e
PPM) no âmbito do incêndio tiveram por base "critérios clínicos" e
lembrou que, se assim não fosse, provavelmente estaria a ser
julgada por mortes que poderiam ter ocorrido, mas que, felizmente, não
ocorreram.A comissão parlamentar de
inquérito ao incêndio no HDES, criada por proposta potestativa da
bancada do PSD, terminou esta quinta-feira todas as audições previstas, e
vai agora elaborar um relatório final, que será votado em reunião a
realizar a 16 de junho.A comissão foi
criada para averiguar as causas do incêndio e determinar se as ações
tomadas pela tutela e pela administração daquela unidade de saúde foram
ou não as mais adequadas, quer durante, quer após a tragédia.No
dia 04 de maio de 2024, o HDES, o maior hospital dos Açores, foi
afetado por um incêndio, que obrigou à transferência de todos os doentes
para outras unidades de saúde da região, da Madeira e do continente.Entretanto,
razões de segurança clínica o Governo Regional dos Açores decidiu
investir na instalação de um hospital modular que, custou mais de 30
milhões de euros, está a preparar uma intervenção de fundo no edifício
principal do HDES.