Governo dos Açores quer recuperar culturas tradicionais com apoio da universidade
21 de set. de 2022, 12:01
— Lusa/AO Online
“Há
muitas variedades tradicionais que estão a desaparecer, que são uma
identidade regional e que importa conservar, quer seja num banco de
sementes regional, como posteriormente no catálogo nacional de
variedades”, adiantou o titular da pasta da Agricultura nos Açores,
António Ventura.O governante falava, em
Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, à margem de uma reunião com o
presidente da Faculdade de Ciências Agrárias e Ambiente da Universidade
dos Açores, Alfredo Borba.O projeto de
“caracterização das variedades produtivas tradicionais”, desenvolvido em
parceria com a Universidade dos Açores e com a Federação Agrícola dos
Açores, estará inscrito na proposta de Orçamento da Região para 2023,
com uma verba inicial de 5.000 euros.“Vamos
começar com uma verba inicial de 5.000 euros, que poderá ser reforçada
ao longo do ano, porque não sabemos bem que trabalho vamos encontrar”,
explicou António Ventura.Em causa estão
culturas como o milho, a fava, a tremocilha, o feijão, o chícharo ou o
nabo, que existiram nos Açores, “durante séculos”, mas “estão a
desaparecer”.“Essas variedades, para além
de estarem adaptadas às nossas condições edafoclimáticas, também são
resistentes a determinadas doenças e aumentam as opções para a
alimentação animal e humana”, frisou António Ventura.Segundo
o secretário regional da Agricultura, “alguns agricultores mantêm a
produção destas sementes em pequena escala” e “pode haver interesse de
empresas de pequena e média dimensão em comercializar” estas sementes
para confeção de produtos tradicionais.“Estas
culturas tradicionais foram abandonadas, no caso do milho, por exemplo,
por causa dos ventos. Os milhos híbridos têm uma maior resistência. Não
significa que vamos substituir esses milhos pelo tradicional. Significa
que vamos poder oferecer uma nova produção em pequena ou média escala.
Poderá haver uma comercialização de farinha para produção do nosso
tradicional pão de milho”, apontou.O
projeto, que tem uma duração de dois anos, vai exigir uma pesquisa
bibliográfica e uma recolha de sementes junto dos agricultores.“Prevemos
que em finais de 2024 já possamos ter um catálogo desta identificação
das culturas tradicionais produtivas nos Açores e algumas culturas já
inscritas no catálogo nacional de variedades”, avançou o governante.O
presidente da Faculdade de Ciências Agrárias e Ambiente da Universidade
dos Açores disse que a academia tem já um banco de germoplasma, mas
reconheceu que é importante “recuperar e manter o máximo de
biodiversidade possível”.Segundo Alfredo
Borba, estas culturas “foram caindo em desuso, porque apareceram
espécies mais produtivas e mais resistentes ao vento”, por exemplo, mas
as alterações climáticas podem torná-las de novo atrativas.“Muitas
vezes descobrem-se resistências a frios, a geadas, a ventos, à seca, em
algumas variedades. E isso pode ser importante”, afirmou.