Governo dos Açores quer promover achados arqueológicos subaquáticos
6 de out. de 2022, 17:06
— Lusa/AO Online
“Pretendemos trazer as
imagens e o conhecimento para que, quem esteja em terra, possa também
visitar o próprio sítio arqueológico”, explicou a secretária regional da
Educação e Assuntos Culturais, Sofia Ribeiro, na abertura do “Margulhar
2”, um seminário transnacional que reúne especialistas dos Açores,
Madeira, Canárias, Cabo-Verde e Senegal.Segundo
a governante, os Açores destacam-se, a nível internacional, pelo seu
património subaquático, que engloba cerca de um milhar de naufrágios,
embora esses achados só estejam, atualmente, disponíveis para visitação
por quem faz mergulho.“Estamos a trabalhar
de forma democratizar o acesso à cultura do património subaquático dos
Açores, sobretudo para aqueles que não têm oportunidade ou capacidade
para mergulharem e visitarem esses locais”, justificou Sofia Ribeiro.Pedro
Parreira, coordenador do projeto “Margulhar” nos Açores, entende que o
património arqueológico subaquático da região pode mesmo gerar um novo
produto turístico, assim como novas fontes de receita para a economia
regional.“O objetivo do projeto é criar um
novo produto de turismo cultural nos Açores, utilizando o potencial que
temos na região, como maior museu subaquático visitável no mundo, com
cerca de 1000 naufrágios, para nos abrir novas portas e trazer novos
caminhos para a nossa economia, explicou Pedro Parreira, em declarações à
Lusa.Segundo aquele especialista, os
naufrágios dos Açores foram já premiados com algumas distinções
internacionais, como a marca “Património Europeu” ou o prémio da Unesco
para “melhores práticas sustentáveis”, e a intenção dos coordenadores do
projeto é seguir essa “estratégia sustentável”, “honrando” as
tradições, as boas práticas e os próprios açorianos.“Um
naufrágio não é como uma árvore! Não retiramos os frutos e eles voltam a
crescer!”, alertou Pedro Parreira, adiantando que quando se descobre um
novo sítio arqueológico na região, “é muito importante que esses
achados permaneçam no seu local, do ponto de vista da conservação, do
ponto de vista da visitação e do ponto de vista da investigação”.Nos
Açores existem, atualmente, cinco parques arqueológicos subaquáticos e
estão identificados 35 locais de visitação, que podem ser utilizados
pelos turistas e pelas empresas da região que se dedicam ao turismo
subaquático, mas há também o receio de que a divulgação destes achados
possa dar origem ao surgimento de “caçadores de tesouros”.“Os
Açores estiveram na linha da frente desse combate na década de 1990 e
graças ao esforço de colegas meus, foi possível afastar da nossa região
os caçadores de tesouros”, explicou Pedro Parreira, referindo-se a
“grande empresas” internacionais, que se dedicam à exploração de achados
arqueológicos subaquáticos.Este
especialista admite que, “ocasionalmente”, há quem encontre objetos em
sítios arqueológicos, no fundo do mar, e os traga para terra, “sem terem
conhecimento de que não o devem fazer”, o que obriga à intervenção das
autoridades, no sentido de sensibilizá-las para a preservação do
património.“Aquilo faz parte da nossa uma
herança comum. Faz mais sentido que continue lá em baixo, para que todos
possamos usufruir, do que estar no quintal de alguém que não deixa os
outros verem”, lembrou Pedro Parreira.