Governo dos Açores quer incentivar produção de carne de bovino maturada
12 de dez. de 2021, 21:36
— Lusa /AO Online
“Vamos incentivar para 2022, através dos fundos comunitários, a maturação da carne. É uma nova oferta para os consumidores, que permite a exportação, permite longas distâncias, permite menos custos de transporte e permite oferecer este novo agroalimento”, avançou, em declarações à Lusa.O titular da pasta da Agricultura nos Açores falava, em Angra do Heroísmo, à margem de uma visita à ExpoCarne 2021, organizada pelo Núcleo de Criadores de Bovinos de Raças de Carne da Ilha Terceira.Para além dos incentivos aos produtores que queiram apostar em carne maturada, o Governo Regional vai também instalar câmaras de maturação nos matadouros da região.“Não é algo que se faça de um mês para outro, é algo que se começa a fazer e tem um período de investimento, mas temos essa vontade”, disse António Ventura.Segundo o secretário regional da Agricultura e Desenvolvimento Rural, a produção de carne nos Açores ainda tem potencial de crescimento e há uma “perspetiva de otimismo relativamente à venda de carne, quer para consumo local, quer para exportação”.“Em Portugal, só produzimos 50% da carne que consumimos. Isso significa que há muito espaço para nós podermos preencher esse consumo que ainda falta em Portugal”, apontou.Muitos produtores de leite nos Açores estão a migrar para a produção de carne, o que para António Ventura é positivo para as duas fileiras, porque “retira a pressão da produção de leite”, permitindo que o produto seja “mais valorizado”, e, ao mesmo tempo, possibilita “uma maior oferta de carne e derivados”.“Há uma migração para equilibrar aquilo que é o excesso de produção de leite com o défice de produção de carne. Há espaço, essa migração não vai afetar negativamente a produção de carne. Por outro lado, vai é afirmar uma fileira, quer a nível regional, quer a nível nacional”, frisou.O preço da carne pago ao produtor “está a crescer”, mas ainda não é “o desejado”, tendo em conta “o crescimento dos fatores de produção”.O governante defendeu, por isso, a necessidade de uma maior aposta na promoção e na conquista de novos mercados europeus, onde existem “nichos de consumidores que estão dispostos a pagar por esta qualidade excecional”.“A carne dos Açores é reconhecida, mas há de facto muitos consumidores que, também por causa da pandemia, escolhem o preço mais baixo. Temos de ter coragem de valorizar pelo preço aquilo que é bom. Precisamos de novos mercados e de publicitar esta IGP [Indicação Geográfica Protegida] que nós temos”, afirmou.Em “finais de janeiro”, António Ventura espera que a carne do Ramo Grande, raça autóctone dos Açores, seja também reconhecida com Denominação de Origem Protegida (DOP).O executivo açoriano está “em fase final da certificação do matadouro de São Miguel, da Terceira e do Pico para as questões do bem-estar animal” e prevê arrancar no próximo ano com “uma agenda para a investigação no âmbito da bovinicultura de carne”.Organizada pelo Núcleo de Criadores de Bovinos de Raças de Carne da Ilha Terceira, a ExpoCarne 2021 iniciou-se na quinta-feira e termina hoje.Durante quatro dias, foram promovidas palestras informativas, atividades educativas e momentos de degustação, entre outras iniciativas.Estiveram também em exposição animais das raças Angus, Charolesa, Fleckvieh, Limousine, Mertolenga e Ramo Grande.