Governo dos Açores quer implementar enfermeiro de família até 2022
20 de mar. de 2021, 10:54
— Lusa /AO Online
“Garantidamente, é para ser implementado neste mandato. Eu até queria que se começasse a implementar já este ano. Não sei se será possível, mas seguramente em 2022 já começaremos com o enfermeiro de família”, adiantou, em declarações aos jornalistas.O governante, que tutela a área da Solidariedade Social nos Açores, falava em Angra do Heroísmo, à margem de uma reunião com dirigentes da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros.Artur Lima, que é líder do CDS-PP nos Açores, lembrou que tinha já apresentado a proposta de criação do enfermeiro de família, quando era deputado da oposição, em 2012, criticando o que foi feito desde então.“Não houve nunca um projeto piloto. Temos de ser verdadeiros nisso. Foi uma tentativa que houve, na altura, de minar o projeto do enfermeiro de família, porque não queriam que ele avançasse”, criticou.Os centristas vão apresentar novamente uma iniciativa parlamentar com vista à criação do enfermeiro de família, que já consta do programa de governo, do executivo da coligação PSD-CDS-PP, que tomou posse em novembro de 2020.Para Artur Lima, esta figura será, sobretudo, um contributo para manter os idosos mais tempo em casa.“O enfermeiro de família é uma peça fundamental e estruturante nesse apoio a dar ao idoso em casa e naturalmente queremos implementar esse projeto e contamos com a colaboração da Ordem”, salientou, alegando que antes não existiu essa disponibilidade de colaboração por parte deste órgão.Para o representante da Ordem nos Açores, Pedro Soares, é importante que se crie na região “a legislação necessária” para a implementação da figura do enfermeiro de família.“Para nós deve haver uma adaptação daquilo que foi criado em 2015 a nível nacional e que ainda hoje apenas em alguns pontos do país é uma realidade”, salientou, defendendo que essa adaptação tem de ser feita “ilha a ilha”.A secção regional da Ordem dos Enfermeiros está a fazer um levantamento das necessidades, mas acredita que será preciso contratar mais profissionais e deixa um apelo ao executivo açoriano para que contrate os jovens formados na região.“Em julho, termina a formação de cerca de 90 enfermeiros nas escolas dos Açores e, à semelhança do que fizemos há um ano atrás, alertámos novamente o Governo que é importante a contratação efetiva destes meios. Os Açores não têm mais onde ir buscar recursos humanos, muito menos nesta altura pandémica”, sublinhou.O processo de implementação da figura do enfermeiro de família deverá ser gradual e cada enfermeiro deverá ter a seu cargo cerca de 400 famílias.“Não podemos avançar em todas as ilhas ao mesmo tempo e vamos tentando perceber quais são as reais necessidades no terreno”, explicou Pedro Soares.A Ordem dos Enfermeiros vai retomar também as visitas, em conjunto com a Segurança Social, às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) da região para avaliar as condições de trabalho dos profissionais e os rácios de utentes por enfermeiro.“Temos, por exemplo, um enfermeiro para 120 utentes numa noite. Isso é uma situação que nós, enquanto Ordem, não podemos de maneira nenhuma aceitar, porque está posta em causa a segurança dos próprios utentes e do enfermeiro. É mais um trabalho que vamos ter de fazer com a tutela que é adaptar à região as ‘guidelines’ nacionais e internacionais sobre isto”, afirmou Pedro Soares.Questionado sobre a necessidade de contratação de mais enfermeiros nas IPSS, Artur Lima disse que a situação será avaliada após o levantamento da Ordem.“Quando tiver esse levantamento feito, de quantos são, de onde estão e de como estão, estamos disponíveis para nos sentarmos e fazermos um planeamento a médio prazo para suprimos as necessidades e prestarmos cada vez mais melhores cuidados aos nossos utentes”, apontou.