Governo dos Açores quer evitar "erros do passado" e garantir convergência com PO 2030
8 de mar. de 2022, 17:45
— Lusa/AO Online
“O
objetivo primeiro é promover a convergência social e económica, e
apresentar resultados. Não queremos nem podemos repetir erros do
passado, em que não houve convergência”, afirmou Joaquim Bastos e Silva,
secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública.O
governante falava no parlamento açoriano durante o debate de urgência
pedido pelo PS sobre a anteproposta do PO 2030, que esteve em consulta
pública até ao fim de fevereiro."Chegámos
aqui com programas que falharam. Falharam redondamente. Nós vamos
fazer. Não há redução do apoio às empresas e vamos, na versão definitiva
[do PO], mostrar isto. Não é só na versão da competitividade que está o
apoio às empresas. Está também na digitalização", insistiu Bastos e
Silva perante as críticas do PS, que liderou o Governo Regional até
2020.Depois
das audições a partidos políticos e parceiros sociais no início de
fevereiro, a anteproposta de PO 2030 recebeu, durante a consulta
pública, 32 contributos.O secretário das Finanças observou que é “transversal” aos vários contributos o “pedido de reforço de verbas”. “De tudo tomamos devida nota, sendo certo que não podemos acolher todas as sugestões”, observou.O
documento que resultar deste processo será depois objeto de
“articulação com o Governo da República e de negociação com as
instituições europeias, em particular com a Comissão Europeia, que, em
última instância, aprovará o Programa Operacional”.Bastos
e Silva sublinhou que, embora “globalmente os valores do PO sejam
similares aos do anterior (1.140 milhões de euros, em vez de 1.137
milhões de euros), alterou-se o peso relativo de cada um dos fundos que o
compõe”.“O PO Açores 2030 tem menos 103 milhões de euros de verba FEDER e mais 106 milhões de euros de verba FSE+”, explicou.De
acordo com o Bastos e Silva, “enquanto o PO 2020 era composto por 70%
de FEDER e 30% de FSE, o 2030 conta com 60% FEDER e 40% de FSE+”.O
governante observou que o FEDER “é um fundo que visa contribuir para a
correção dos principais desequilíbrios regionais e reduzir as
disparidades entre os níveis de desenvolvimento das diversas regiões e o
atraso das regiões menos favorecidas”.Por
outro lado, o Fundo Social Europeu Mais (FSE+) “é o principal
instrumento para investir nas pessoas, promover o emprego e para
concretizar o Pilar Europeu dos Direitos Sociais”.Quanto
à convergência, Bastos e Silva notou que, “numa região com risco de
pobreza e exclusão social alarmantes, com elevado abandono escolar, com
significativas fragilidades no sistema de saúde, a convergência e o
crescimento continuaram a ser mitos porque nunca foram verdadeiramente
alcançados”.“Sem
convergência social não haverá convergência económica. Sem investimento
robusto na formação profissional, na educação e na saúde não será
possível alterar o paradigma do presente e ter em conta as oportunidades
emergentes das transições ecológica e digital”, afirmou.Para
Bastos e Silva, não é possível “reduzir o abandono escolar precoce ou
número de jovens que não estudam nem trabalham sem investir na Educação e
Aprendizagem ao Longo da Vida (176 milhões de euros)”.“Não
consideramos que todo o investimento público é excessivo e que todo o
investimento privado é insuficiente. Que fique bem claro que o apoio às
empresas é prioritário e terá concretização na ação do XIII Governo
Regional dos Açores”, defendeu.Relativamente
aos “indicadores de resultados e os princípios orientadores para a
seleção das operações do PO”, Bastos e Silva disse que “a sua definição
ocorrerá em momento posterior”.“Depende
da aprovação do Acordo de Parceria, cuja construção decorre em paralelo
com a dos vários programas operacionais do Portugal 2030, e é objeto de
aturada negociação com a própria Comissão Europeia”, esclareceu.No
que diz respeito às verbas para as autarquias, disse que “está
garantido o acesso a candidaturas no valor superior a 130 milhões de
euros, a que acresce uma verba estimada para a formação profissional das
escolas profissionais das autarquias superior a 30 milhões de euros”.“Desta
forma, mantém-se o nível potencial de acesso a fundos comunitários do
PO 2020, muito embora se constate que, da dotação inicial de 165 milhões
de euros, só houve candidaturas no valor de 97 milhões de euros,
aprovados 84 milhões de euros e executados 52 milhões de euros”.Bastos
e Silva assegurou que este é “um processo em curso, conduzido com
seriedade e profissionalismo, ouvindo as críticas e sugestões legítimas e
acatando as mais válidas, colocando sempre os Açores primeiro”.O
PO Açores 2030 é um programa comparticipado pelos Fundos Europeus
Estruturais e de Investimento FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento
Regional) e FSE+ (Fundo Social Europeu Mais), para o período de
programação 2021-2027.A
este programa, de apoio estrutural à região, está afeto um envelope
financeiro de 1.140 milhões de euros, 690 milhões para intervenções do
FEDER e 450 milhões para intervenções do FSE+, destinadas a potenciar
uma verdadeira convergência social e económica.