Governo dos Açores quer cais de cruzeiros na Praia da Vitória
15 de fev. de 2023, 17:57
— Lusa
“A
partir deste momento, o cais de cruzeiros será designado por cais
multiúsos. As peças de contratação dos estudos para o prolongamento do
cais -12 (profundidade) estão concluídas e vamos seguir depois com o
processo de candidatura ao PO 2030, onde estão previstos 30 milhões de
euros, do fundo de coesão”, explicou a secretária regional do Turismo,
Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, na Assembleia Legislativa
dos Açores, reunida na Horta.A obra é
contestada por Nuno Barata, deputado da Iniciativa Liberal e autor da
sessão de perguntas sobre a ilha Terceira ao Governo, para quem o
executivo devia antes investir na criação de condições para a construção
e reparação naval no porto da Praia da Vitória.O
deputado recordou que as embarcações de pesca e de tráfego local da
região, bem com os navios e rebocadores das empresas Atlânticoline e
Portos dos Açores, têm de recorrer, atualmente, a estaleiros no
continente português, ou em Espanha, para fazerem manutenção, quando
esse trabalho podia ser feito na região, com uma poupança de “milhões de
euros”.A secretária regional do Turismo,
Mobilidade e Infraestruturas, que tem a cargo a gestão dos portos da
região, aproveitou a ocasião para criticar os anteriores governos
socialistas, que acusou de terem deixado o património da região “ao
abandono”.“Foram 24 anos de governo que
não cuidou do que devia cuidar”, lamentou, considerando ter existido
“negligência” na gestão do parque de máquinas pesadas, nos portos e nas
gruas” da região durante os executivos liderados pelo PS, que geriu a
região entre 1996 e 2020.Berta Cabral
adiantou já ter dado instruções à empresa pública Portos dos Açores para
avaliar da possibilidade de ser adjudicada a privados, a gestão das
estruturas de reparação naval e do parque de invernagem da Praia da
Vitória, no sentido de as renovar e rentabilizar.Andreia
Cardoso, deputada socialista, lembrou as promessas feitas em tempo de
campanha eleitoral pelo atual presidente do Governo.“O que
fez José Manuel Bolieiro? Nada! Nada vezes nada! Nem um euro em 2022,
nem um euro em 2023! Pior que isso, não se conhece a visão do Governo
para aquela infraestrutura”, apontou a parlamentar do PS, referindo-se à
indefinição do executivo sobre o porto da Praia da Vitória.Paulo Gomes, deputado do PSD, recordou as contradições do PS quanto à construção de um cais de cruzeiros na Terceira.“Durante
anos, o PS andou a brincar com os terceirenses! Prometia em Angra, numa
eleição autárquica. Daí a quatro anos, prometia na Praia, depois
voltava a prometer em Angra!”, lembrou.Também
Pedro Pinto, do CDS, realçou a contradição, lembrando que a deputada
socialista Andreia Cardoso defendeu a construção de um cais de cruzeiros
para Angra do Heroísmo, quando foi candidata à presidência da Câmara
Municipal daquele concelho, mas o seu partido defendia um cais de
cruzeiros para a Praia da Vitória, quando estavam em causa as eleições
regionais.Durante a sessão de perguntas ao
Governo, da autoria da Iniciativa Liberal, falou-se também do número de
ligações aéreas entre o continente e a ilha Terceira, e entre a
Terceira e os Estados Unidos da América, que tem vindo a registar altos e
baixos.Vera Pires, deputada do Bloco de
Esquerda, entende que a privatização da companhia aérea Azores Air Lines
poderá fazer diminuir, no futuro, o número de voos para a Terceira.Artur
Lima, vice-presidente do Governo, garante que a procura que se
verifica, atualmente, pelo Aeroporto das Lajes, na ilha Terceira,
demonstra o contrário.“É mercado que tem
de haver e é mercado que nunca souberam criar no passado. A prova é o
número de voos que ultrapassou a capacidade máxima da aerogare civil das
Lajes: 800 mil passageiros em 2022”, recordou o vice-presidente do
executivo.José Pacheco, deputado do Chega,
questionou o Governo sobre o PREIT – Plano de Recuperação Económica da
Ilha Terceira, anunciado pelos anteriores executivos socialistas,
destinado a compensar a redução do contingente laboral na Base das
Lajes, que, alegadamente, nunca foi posto em prática.Foi
Paulo Estêvão, deputado do PPM, quem deu a resposta: “A Terceira foi
negligenciada pelos sucessivos governos socialistas, e o PREIT não foi
mais do que um embuste para encobrir a falta de investimentos na ilha”.Pedro
Neves, deputado do PAN, lamentou que a Terceira esteja a perder “a sua
relevância” a nível regional e nacional, recordando que a ilha perdeu
3.200 habitantes, de acordo com os últimos Censos, além de não conseguir
cativar os jovens a permanecerem na ilha, devido à “falta de
estratégia” do Governo.