Governo dos Açores quer alargar programa "Novos Idosos" a todas as ilhas
24 de abr. de 2023, 15:14
— Lusa
“Fizemos
uma proposta de alargar o programa Novos Idosos a todos os concelhos.
Espero que o PRR considere esta experiência inovadora e que permita que
possamos, nos Açores, ter um projeto-piloto regional de resposta, de
bem-estar aos idosos. A intenção do Governo é alargar a todos os
concelhos dos Açores”, afirmou, em declarações aos jornalistas, o
vice-presidente do executivo açoriano, Artur Lima.O
governante, que tutela a área da Solidariedade Social nos Açores,
falava à margem de uma visita a uma idosa do concelho da Praia da
Vitória, na ilha Terceira, beneficiária deste programa, que atribui um
apoio máximo de 948 euros mensais por idoso, para que consigam
permanecer nas suas habitações.O
projeto-piloto arrancou nos concelhos de Ponta Delgada (São Miguel) e
Praia da Vitória, com 50 vagas em cada, e já foi alargado a Vila Franca
do Campo e Lagoa, em São Miguel, e ao concelho da Horta, na ilha do
Faial, com mais 50 vagas em cada.No âmbito
do reforço de verbas do PRR, que vai atribuir mais 64 milhões de euros
aos Açores, o executivo açoriano propôs um alargamento do projeto-piloto
a todas as ilhas, mas Artur Lima não revelou qual o montante previsto
ou o número de vagas a abrir em cada concelho, alegando que
seria ainda necessário um “processo negocial”, caso o projeto fosse
aprovado.“Temos tido bons ‘feedbacks’, de
gente que estava acamada e que hoje já se levanta, de gente que estava
com dificuldades cognitivas e hoje já fala e já comunica bem. Entendemos
fazer a proposta para alargar, passar de um projeto-piloto concelhio
para um projeto-piloto regional. Acho que o PRR vai aprovar”, salientou o
vice-presidente do Governo Regional.Nos
primeiros dois concelhos, a implementação do programa “está praticamente
concluída”, com 94 idosos já apoiados, tendo sido criados 86 postos de
trabalho.Em Vila Franca do Campo, Lagoa e Horta, foram recebidas 327 propostas para as 150 vagas existentes.Com
82 anos, Maria de Lurdes Laranjeira, residente na vila das Lajes, foi
uma das primeiras beneficiárias deste programa nos Açores, que disse ter
surgido como um “milagre”, numa altura em que necessitava de apoio.“Eu
tive o privilégio de ser logo atendida. Foi uma graça que nosso Senhor
me concedeu. Estou tão bem servida”, contou ao vice-presidente do
Governo Regional, confessando nunca ter esperado recebê-lo em sua casa.“Estava
a ficar muito atrapalhada” e as filhas decidiram contratar uma
cuidadora para lhe dar algum apoio na higiene, mas, com o programa, pode
alargar o horário da cuidadora e passou a ter acesso a apoio técnico do
Lar D. Pedro V.As técnicas trazem-lhe
trabalhos “para puxar pela memória” e até já a convenceram a partilhar
uma receita de alcatra, prato tradicional da ilha.Délia Pinheiro, cuidadora de Maria de Lurdes, regista uma evolução na memória da utente, desde que o programa arrancou.“Como
é que uma senhora com 82 anos ainda se lembra? A conta de somar, de
diminuir, de dividir. Ela ainda se lembra disso tudo. É muito bom puxar
pela memória dela, porque muita coisa está esquecida”, revelou.Cuidadora
de idosos há três anos, começou por apoiar Maria de Lurdes apenas na
higiene, de manhã, mas hoje regressa à tarde, para tratar do jantar e
para lhe fazer companhia.Délia Pinheiro
admitiu que, no início, é difícil as utentes “aceitarem” a presença de
uma cuidadora, mas “com um certo jeitinho” e diálogo, acabam por
aprender uma com a outra.“É como um casal, a remar os dois para o mesmo lado. Desde que a gente consiga esta sintonia, belíssimo”, explicou.