Governo dos Açores quer ajuste direto para voos não liberalizados com o continente
19 de abr. de 2023, 15:53
— Lusa
“Se
atrasarem mais o concurso, o que devem fazer é estudar a hipótese de um
ajuste direto para poderem apoiar a Sata Air Açores, e esse é que é o
interesse da Região”, realçou Duarte Freitas, secretário regional das
Finanças, Planeamento e Administração Pública, falando no parlamento
açoriano, reunido na cidade da Horta, no âmbito de uma sessão de
perguntas sobre o processo de privatização da Azores Airlines.O
governante lembrou que, atualmente, a companhia aérea açoriana é que
está a suportar os encargos dos voos das OSP nas ligações para as rotas
não liberalizadas (Santa Maria/Lisboa, Pico/Lisboa, Horta/Lisboa e
Funchal/Ponta Delgada), orçadas em cerca de dez milhões de euros/ano,
apesar dessa “compensação” estar prevista no Orçamento de Estado.“Colocar
essa compensação no Orçamento do Estado e depois não aplicá-la, é
enganar os açorianos”, insistiu Duarte Freitas, apelando aos deputados
da bancada do PS no parlamento açoriano para influenciarem o executivo
liderado por António Costa para que apresse o lançamento do novo
concurso público para as ligações abrangidas pelas OSP’s.As
exigências do governo regional de coligação (PSD, CDS-PP e PPM), surgem
na sequência de uma sessão de perguntas da autoria do deputado
independente, Carlos Furtado (ex-Chega), que se manifestou preocupado
com o caderno de encargos lançado pela região para a privatização da
maioria do capital da Azores Airlines.“Este
caderno de encargos é uma pouca-vergonha”, acusou aquele parlamentar,
que teme que os interesses dos Açores possam sair prejudicados no
processo de privatização, alertando que o mesmo nem define, por exemplo,
quem vai pagar os cerca de 400 milhões de euros de prejuízos acumulados
pela transportadora ao longo da última década.O
secretário regional das Finanças entende que “não há outra solução”
para “salvar a SATA”, do que avançar para a privatização da maioria do
capital social da Azores Airlines, adiantando que “o custo” de adiar
esse processo, poderia representar o encerramento da companhia.Carlos
Silva, deputado do PS, entende, porém, que o caderno de encargos agora
lançado pelo Governo, “não defende os interesses dos açorianos, não
defende o interesse regional, não assegura a manutenção dos postos de
trabalho, nem assegura as rotas para o continente e para a diáspora”
neste processo de privatização.José
Pacheco, deputado do Chega, considera que “se não dá certo”, a empresa
“deve fechar a porta”, por entender que não devem ser os açorianos a
“pagar os caprichos burgueses” que os socialistas impuseram à companhia
até 2020, ano em deixaram de ter responsabilidades governativas na
região.Pedro Neves, do PAN, também
concorda com a privatização da Azores Airlines, mas discorda do “caderno
de encargos” lançado pelo executivo regional, que considerou poder vir a
representar “uma hecatombe”, antevendo que, após a privatização, a
empresa deixe de ter sede nos Açores e possa ser desviada para Lisboa ou
para o Porto.Pedro Pinto, deputado do
CDS-PP, criticou a “gestão desastrosa” que os anteriores governos
socialistas tiveram na transportadora aérea regional, lembrando que os
Açores “não são um destino de massas”, nem têm uma população residente
que justifique manter uma operação aérea com tamanhos prejuízos.Posição
semelhante teve António Vasco Viveiros, da bancada do PSD, que lembrou
que os 400 milhões de euros de prejuízos acumulados pela Azores Airlines
“têm um peso, per capita, muito superior ao que custou a TAP a nível
nacional”.António Lima, do Bloco de
Esquerda, considera que o atual executivo de coligação à direita, “não
tem feito melhor” do que os anteriores governos socialistas, lamentando
que a região ainda não tenha divulgado os resultados operacionais da
SATA relativos a 2022, que, alegadamente, comprovam que “os resultados
não melhoraram”.Nuno Barata, da Iniciativa
Liberal, concorda com a privatização e insiste que a região “não pode
continuar a pagar” para que os norte-americanos, que têm “centenas de
voos diários com a Europa”, possam viajar para os Açores, concluindo que
a região “não tem capacidade para manter uma companhia que continua a
acumular prejuízos”.Paulo Estêvão, do PPM,
disse que o atual executivo liderado pelo social-democrata José Manuel
Bolieiro, tomou uma medida responsabilidade ao antecipar para 2023 a
privatização da Azores Airlines, apesar de a Comissão Europeia admitir
que o processo seja concretizado até 2025.