Governo dos Açores quer agentes a intervir sobre criação de novas áreas marinhas protegidas
31 de jan. de 2020, 17:54
— Lusa/AO Online
“Pretendemos
o envolvimento de pessoas e instituições que tenham atividades ligadas
ao mar, mas queremos que seja um processo participado pela sociedade
açoriana em geral”, destacou o governante, falando na sessão de abertura
da reunião do processo de reestruturação da Rede de Áreas Marinhas
Protegidas dos Açores (RAMPA), realizada na cidade da Horta.Para
Gui Menezes, “o envolvimento, ativo e crítico, dos 'stakeholders'
[agentes] é fundamental para que este processo avance”, referindo-se, em
especial, aos profissionais do setor, que são, simultaneamente, os mais
interessados, mas também os mais afetados com o crescimento de zonas de
proteção à pesca.Em declarações aos
jornalistas, à margem da reunião, o secretário com a tutela do Mar
lembrou que, segundo os dados científicos, “é necessário aumentar as
áreas marinhas protegidas e a sua representatividade”, assim como
assegurar uma “melhor gestão” dos recursos marinhos.Confrontado
com a necessidade de se criarem novas áreas marinhas protegidas nos
mares da região, Jorge Gonçalves, da Associação de Produtores de
Espécies Demersais nos Açores (APEDA), admitiu que os profissionais do
setor reconhecem, eles próprios, essa necessidade.“É
preciso salvaguardar o futuro das pescas e o rendimento dos nossos
pescadores”, insistiu o dirigente associativo, em declarações aos
jornalistas, à margem do encontro na Horta, recordando que “para haver
rendimento, é preciso haver recursos”.Esta
primeira reunião do processo de reestruturação da RAMPA teve como
objetivo apresentar um plano para a definição, discussão e implementação
de novas áreas marinhas protegidas, e criar um grupo de trabalho com
representantes dos principais setores regionais ligados ao mar que
acompanhe todo este trabalho.Gui Menezes
lembra, contudo, que este processo está ainda numa fase inicial e que
ainda não foram definidas as áreas que a região pretende vir a proteger,
adiantando que o que está em causa é não apenas a “conservação da
biodiversidade”, mas também “o aumento do rendimento das pescas e a
conciliação dos vários usos do mar”.“Um
dos grandes desafios é o de manter a qualidade ambiental marinha e
fomentar o crescimento económico ligado à pesca, ao turismo marítimo, ao
mergulho ou à aquacultura”, frisou o governante.
O processo de restruturação das áreas marinhas protegidas dos Açores é
coordenado pelas direções regionais dos Assuntos do Mar e das Pescas e
conta com o apoio dos projetos 'Blue Azores' e 'LIFE Azores Natura', bem
como como do OKEANOS e da Universidade dos Açores.