Governo dos Açores quer acompanhar alunos que deixem 12.º ano por concluir
27 de abr. de 2022, 15:38
— Lusa/AO Online
“Já
no próximo ano escolar, estamos a preparar um trabalho de
acompanhamento individual de cada aluno com 18 anos que abandone a
escola sem completar o 12.º ano”, disse Sofia Ribeiro, titular da pasta
da Educação, em declarações aos jornalistas à margem do plenário do
Conselho Económico e Social dos Açores (CESA), em que participou esta
manhã.De acordo com a governante, a
intenção é saber quantos e quais os alunos de 18 anos que não concluíram
o 12.º ano e não renovaram a matrícula para os “acompanhar e dar
informação sobre alternativas ao nível da educação e formação”, de modo a
“catapultar a região” ao nível dos indicadores na área do abandono
escolar precoce.Dados do Instituto
Nacional de Estatística relativos a 2021, divulgados em fevereiro,
colocam a taxa de abandono escolar nos Açores nos 23,2%, face ao valor
global de 5,9% no país.Em 2020, a taxa atingiu os 27% na região e a média nacional foi de 8,9%.Por
outro lado, de acordo com dados de 2020 indicados pelo CESA, os jovens
NEEF (que não trabalham, nem estão inseridos em sistemas de educação e
formação) situam-se pouco abaixo dos 18%, “sensivelmente o dobro da
média nacional”.Nas declarações aos
jornalistas, Sofia Ribeiro notou que o abandono escolar precoce é “um
indicador de fim de linha, referente a alunos com 18 anos, já não
abrangidos pela escolaridade obrigatória”. “O
trabalho tem de começar a ser feito a montante”, defendeu, explicando
que esse objetivo está a ser prosseguido na elaboração da Estratégia da
Educação para a Década.De acordo com a
secretária regional, o governo açoriano, de coligação PSD/CDS-PP/PPM
está, em colaboração com os parceiros sociais, “a desenvolver outros
indicadores intermédios essenciais para que o sistema educativo possa ir
definindo as suas metas e aferindo o grau de cumprimentos das mesmas”.“É
desiderato deste Governo fazer uma alteração ao nível da carreira
docente e ao nível dos currículos da educação básica”, frisou, falando
na intenção de desenvolver, nas crianças, “outras competências de
raciocínio básicas” para além das tradicionais.No
terreno está já o ‘Programa de A a Z’, de promoção da “literacia dos
alunos no primeiro e segundo ano de escolaridade” e o programa de
‘coaching’ educativo.Este último foi
classificado por Sofia Ribeiro como “essencial”, por mobilizar toda a
comunidade escolar e pelo reforço da “mensagem positiva” às crianças.O objetivo dos projetos é “intervir” assim que se detete um problema com o aluno.“Esse trabalho está a ser feito desde o primeiro ciclo do ensino básico”, acrescentou.Na
apresentação feita ao CESA, a secretária regional lembrou que,
para o presente ano, vindo do Programa de Recuperação e Resiliência
(PRR), a Educação tem “mais de 6,8 milhões de euros, quer para
equipamentos, quer para módulos de formação”. “A
par disso, há um investimento de 1,8 milhões de euros no que diz
respeito às comunicações, porque as escolas precisam de ter
infraestruturas de acesso à rede digital”, explicou.