Governo dos Açores promove estudo social e económico do setor das pescas
7 de jan. de 2020, 16:04
— Lusa/AO Online
O
secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Menezes, declarou
aos jornalistas, no final de uma audição parlamentar, que existiam
estatísticas que apontavam para cerca de 3.000 pescadores nos Açores,
mas as várias entidades que apuram estes números não cruzam dados,
estimando o governante que sejam entre 2.400 e 2.600 estes
profissionais.“A Direção Regional das
Pescas está a verificar [com base no estudo] tudo isso: quem são os
pescadores, os não marítimos que vão muitas vezes para o mar sem
habilitações. Está-se a fazer uma revisão geral de toda esta atividade e
os últimos números apontam para 2.400 a 2.600 pescadores".O
titular da pasta do Mar apontou que está a surgir uma “nova realidade
nos Açores”, revelando que, em algumas ilhas onde havia a convicção de
que haviam muitos pescadores, “começa a haver algumas dificuldades de
tripulantes” para as embarcações de pesca. Gui
Menezes foi ouvido na Comissão de Economia sobre a proposta de
Decreto Legislativo Regional n.º 53/XI, que introduz uma segunda
alteração ao Decreto Legislativo Regional n.º 29/2010/A, de 9 de
novembro, que aprova o quadro legal da pesca açoriana, em harmonização
com a realidade nacional e um regulamento comunitário no âmbito da
Política Comum de Pescas. O secretário
regional explicou que a transposição da diretiva comunitária,
obrigatória, sob pena de haver penalização de fundos comunitários, não
implica “nenhumas infrações novas”, mas uma “definição de tipologias de
infrações que já eram graves no atual diploma, às quais passam a ser
atribuídos pontos consoante a gravidade”.O
governante explicou, a título de exemplo, que pescar numa zona
protegida é considerada uma infração “muito grave que tem um determinado
número de pontos certamente maior do que outro de tipo de infração,
também grave, mas não tanto”.Segundo o
secretário regional, a nova legislação acaba por ser “menos penalizadora
num certo sentido porque, para haver um impedimento de uma embarcação
ir para o mar, é necessário uma série de infrações acumuladas, e quando
se atinge um determinado número de pontos é que se assiste à
contraordenação”.“No caso concreto deste
sistema novo de pontos, seria necessário as infrações graves serem
cometidas com alguma regularidade para se chegar a este ponto”, frisou.
O presidente da Federação das Pescas dos
Açores, Gualberto Rita, também ouvido em sede de comissão parlamentar,
considerou que o sistema de penalização por pontos deveria ser aplicado
tanto à pesca lúdica como aos pescadores profissionais.Gualberto
Rita defende que, no caso da pesca local, deveria ser aberto um regime
de exceção, uma vez que das infrações cometidas “não há a necessidade de
haver lugar a sanções graves e muito graves, uma vez que estas são
leves”.Segundo o dirigente, este já não é o
caso dos atuneiros, onde “há que haver algum cuidado por parte dos
armadores por causa das licenças de pesca dessas embarcações, bem como
dos mestres das mesmas, acima dos 24 metros”.O
sistema de pontos previsto para todo o espaço comunitário contempla a
penalização do mestre de embarcação e da licença de pesca.