Governo dos Açores procura parceiros para criar salas de chuto nos Açores

Hoje 11:04 — Lusa/AO Online

“Se decidirmos abrir uma sala de consumo assistido, ela tem de ser explorada, ou seja, alguém tem de gerir o seu funcionamento (ONG’s ou outras instituições), e não propriamente a Direção Regional de Prevenção e Combate às Dependências, que não tem recursos, nem orgânica para exercer essa função”, justificou a governante, ouvida na Comissão de Assuntos Sociais do parlamento açoriano, reunida em Ponta Delgada.Em causa está um projeto de resolução apresentado pelo deputado único do PAN, Pedro Neves, que defende a implementação de salas de consumo assistido de drogas nos Açores, em especial nas cidades de Ponta Delgada e da Ribeira Grande, como forma de garantir o acompanhamento e o combate aos riscos para a saúde pública, do consumo descontrolado de estupefacientes, por parte de vários cidadãos sem abrigo.“Primeiro temos de definir se é isso que pretendemos implementar ou não, para depois irmos ao segundo passo, onde teremos de definir um modelo”, ressalvou Mónica Seidi, acrescentando que “nunca será o Governo Regional”, liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro, a definir “sozinho”, um modelo que dê resposta aos toxicodependentes.Mónica Seidi lembrou que nas cidades de Lisboa e do Porto, onde já existem salas de consumo assistido de drogas, estes projetos funcionam em parceria com a respetivas câmaras municipais, modelo que poderá também ser adaptado às ilhas.“A colaboração pode ser feitas em várias formas, e não quer dizer que as câmaras municipais tenham de participar com dinheiro”, lembrou a governante, acrescentando que “o importante é todos os intervenientes estarem devidamente alinhados na necessidade de implementação desta medida”.A secretária regional da Saúde e da Segurança Social do Governo dos Açores foi também ouvida, por proposta urgente do Bloco de Esquerda, a propósito dos atrasos no pagamento de apoios sociais às instituições particulares de solidariedade social (IPSS) e às misericórdias dos Açores, devido à demora na transferência de verbas por parte do Governo da República.“Esta situação deveu-se ao facto desses valores não terem sido apurados para a região”, justificou a governante, adiantando que questionou, na ocasião, o executivo de Luís Montenegro sobre as razões que levaram a que o arquipélago dos Açores tenha ficado de fora do estudo elaborado pela República, para determinar a atualização do valor padrão dos apoios sociais.Mónica Seidi lembrou que o assunto já está ultrapassado, e que as verbas a transferir da República já chegaram às instituições açorianas, mas entende que “a negociação” entre o executivo nacional e o regional, até não correu mal, do ponto de vista financeiro.“O valor recebido em 2025, é superior em cerca de 200 a 300 mil euros, do que aquele que foi recebido em 2024. Eu não considero que a negociação tenha falhado, agora não me vou pronunciar sobre as expectativas das instituições”, frisou a titular das pastas da Saúde e da Segurança Social no arquipélago.Em dezembro de 2025, a demora na transferência de apoios para as IPSS dos Açores, por parte da República, levou a atrasos no pagamento de vencimentos e de subsídios de Natal de muitos funcionários, situação que, garante o Governo Regional, está já ultrapassada.