Governo dos Açores perde maioria absoluta no parlamento regional
SÍNTESE
9 de mar. de 2023, 07:42
— Lusa/AO Online
O deputado da IL rompeu o acordo
de incidência parlamentar que tinha assinado com o PSD após as eleições
de outubro de 2020, ganhas pelo PS, justificando a decisão com o
incumprimento dos sociais-democratas, tendo sido seguido pelo deputado
independente (ex-Chega) Carlos Furtado, que também se desvinculou do
acordo que tinha com a coligação.“A partir
de hoje, depois de todos os esforços que fizemos para que esse acordo
pudesse ser levado até ao fim, vemo-nos obrigados a dizer aos açorianos
que a IL comunicará ao representante da República que se liberta do
acordo de incidência parlamentar que assinou com o PSD”, afirmou Nuno
Barata numa intervenção política no plenário da Assembleia Legislativa,
que decorreu na cidade da Horta, ilha do Faial.O
deputado liberal justificou a decisão com a “força que os parceiros do
PSD na coligação de Governo fazem todos os dias para que nada mude e
pela incapacidade de o PSD promover a devida estabilidade junto dos seus
parceiros de coligação”.Depois,
igualmente no plenário, o deputado independente Carlos Furtado,
ex-Chega, também anunciou que se desvinculava do acordo de incidência
parlamentar que tinha com a coligação de Governo."Há
incumprimentos e falta de respeito institucional. Desde que deixei o
partido [Chega] que há incumprimentos. Fui tratado como um parente
menor. Vou comunicar ao representante da República que vou deixar de
cumprir o acordo”, afirmou.Os três
partidos que integram o Governo Regional (PSD, CDS-PP e PPM) têm 26
deputados na assembleia legislativa e contam agora apenas com o apoio
parlamentar do deputado do Chega, José Pacheco, somando assim 27 lugares
num total de 57, pelo que perdem a maioria absoluta. A oposição tem
agora 30 deputados, quando antes tinha 28.Numa
reação ao fim dos acordos com IL e Carlos Furtado, o presidente do
Governo dos Açores afirmou que o seu executivo vai continuar a ser um
“referencial de estabilidade” e recusou a apresentação de uma moção de
confiança no parlamento regional, como propôs o líder nacional do Chega,
André Ventura.“Não há razão, pela parte
do Governo, que é um referencial de estabilidade, para ser um fator de
instabilidade”, disse o social-democrata José Manuel Bolieiro aos
jornalistas.Momentos antes, André Ventura
acusou a IL de irresponsabilidade por ter rompido o acordo de incidência
parlamentar e propôs ao Governo Regional a apresentação de uma moção de
confiança.“Ou a IL ou o deputado
independente voltam atrás, e dão pelo menos uma carta branca para que o
Governo se mantenha em funções até outubro, ou é evidente que não há
nenhuma condição para o Governo dos Açores se manter em funções e, assim
sendo, não vejo outra solução que não seja eleições”, defendeu,
ressalvando que "só faz sentido” que haja eleições “depois do chumbo de
uma moção de confiança".Já o líder
nacional da IL, Rui Rocha, disse que quem não cumpriu o acordo nos
Açores foi o PSD e que a decisão de o cessar resultou de um “acumular de
situações”, comprometendo-se a “viabilizar as boas propostas" que
vierem a ser apresentadas.O presidente do
CDS-PP, Nuno Melo, defendeu que os portugueses “devem reter” a situação
que está a ocorrer nos Açores, por mostrar que Chega e Iniciativa
Liberal são parceiros instáveis e “politicamente imaturos”.O
deputado do PS/Açores Vasco Cordeiro, que liderou o Governo Regional
até às eleições de 2020, afirmou que, ao rasgar o acordo, a IL passou
“uma certidão de óbito” ao executivo de José Manuel Bolieiro, que, a seu
ver, já estava “politicamente morto”.O PS
venceu as eleições legislativas regionais de 25 de outubro de 2020 nos
Açores, mas perdeu a maioria absoluta, que detinha há 20 anos, elegendo
25 deputados.Em 07 de novembro, o
representante da República indigitou o líder da estrutura regional do
PSD, José Manuel Bolieiro, como presidente do Governo Regional,
justificando a decisão com o facto de a coligação PSD/CDS-PP/PPM ter
apoios que lhe conferiam maioria absoluta na assembleia legislativa.Por
outro lado, Pedro Catarino sublinhou, na altura, que o PS não
apresentou "nenhuma coligação de governo", apesar da vitória nas
eleições.Hoje, fonte do gabinete de Pedro
Catarino disse que o representante da República para os Açores não vai
tomar posição sobre o fim dos acordos parlamentares, deixando a
Assembleia Legislativa prosseguir os seus trabalhos e "resolver o
problema".Desde 2020 e até hoje, PSD,
CDS-PP e PPM contavam com o apoio parlamentar do deputado independente
Carlos Furtado (ex-Chega), do eleito da IL e do deputado único do Chega,
somando 29 mandatos, o que conferia uma maioria absoluta na Assembleia
Legislativa Regional. A Assembleia
Legislativa dos Açores é composta por 57 deputados e, na atual
legislatura, 25 são do PS, 21 do PSD, três do CDS-PP, dois do PPM, dois
do BE, um da Iniciativa Liberal, um do PAN, um do Chega e um deputado
independente (ex-Chega).De acordo com o
Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores e com o
Regimento da Assembleia Legislativa, o Governo Regional pode solicitar
ao parlamento, por uma ou mais vezes, a aprovação de uma moção de
confiança sobre a sua atuação.Uma moção de
censura ao executivo tem de ser apresentada por um quarto dos deputados
em efetividade de funções ou qualquer grupo parlamentar.A
aprovação de uma moção de censura ou a rejeição de uma moção de
confiança carecem de maioria absoluta dos deputados em efetividade de
funções.Implicam a demissão do Governo
Regional, entre outras, a rejeição do Programa do Governo, a não
aprovação de uma moção de confiança e a aprovação de uma moção de
censura.