Governo dos Açores pediu explicações à Galp sobre falha no combustível no aeroporto da Terceira

Hoje 15:46 — Lusa/AO Online

“Solicitei, através da Aerogare Civil das Lajes, um esclarecimento muito pormenorizado sobre o que aconteceu, porque aconteceu, onde é que contaminou o combustível, à Galp, que é a responsável em primeira instância por isso”, afirmou aos jornalistas o vice-presidente do executivo açoriano, Artur Lima.No domingo, o diretor da Aerogare das Lajes, Vítor Pereira, revelou à Lusa que o combustível que chegou à Terceira para abastecer a operação aérea civil “não cumpriu com os testes de qualidade e segurança que a Galp tem para o seu produto” e que a empresa optou por “não colocar este produto no mercado, porque não estavam garantidas as condições de segurança para a aviação civil”.O responsável assegurou, no entanto, que a infraestrutura tinha reservas que permitiam garantir que a operação prevista não iria “sofrer alterações”, embora tivessem tomado medidas de precaução.Questionado o vice-presidente do executivo açoriano, que tutela a Aerogare Civil das Lajes, disse que estava a acompanhar a situação desde sábado à tarde e que aguardava por esclarecimentos da Galp sobre o que aconteceu, se o combustível foi contaminado e por que motivo não cumpria os critérios de qualidade e segurança.“Disseram que têm uma equipa já a tratar disso e estou à espera que deem essas explicações. E também que me expliquem porque é que só deixaram ficar 60 mil litros de reserva, o que não pode acontecer”, apontou.Artur Lima defendeu que a Aerogare Civil das Lajes devia ter uma reserva suficiente para abastecer aeronaves durante, “no mínimo”, 15 dias, o que obrigaria a ter entre 200 a 250 mil litros de combustível.“Há capacidade suficiente para armazenar. O problema não é esse, tanto que temos um tanque cheio de combustível que não tem condições, que o barco vai levar de volta, e temos outro tanque que vai receber o que chega”, revelou.Segundo o vice-presidente do Governo Regional, o navio que partiu da ilha de São Miguel, com 80 mil litros de combustível, para reforçar as reservas da Aerogare Civil das Lajes, já chegou à ilha Terceira.Enquanto o combustível não estiver todo “devidamente armazenado” e com “análises feitas”, vai manter-se o aviso à aeronáutica, que indica que os serviços de abastecimento de aeronaves na ilha Terceira se encontram disponíveis apenas para situações de emergência.Artur Lima ressalvou, no entanto, que a mobilidade dos açorianos não foi afetada por esta situação, destacando a “resiliência” e “capacidade de antever” do executivo açoriano.“Não foi cancelado nenhum voo, correu tudo na normalidade. As companhias aéreas, a SATA, a TAP, a quem agradeço, cooperaram na totalidade, abastecemos apenas umas emergências médicas”, vincou.