Governo dos Açores pede reflexão sobre finanças e alerta que recursos são finitos
3 de jun. de 2025, 09:24
— Lusa/AO Online
A discussão aconteceu no plenário
da Assembleia Regional, na Horta, a propósito da conta da região de 2023
que foi aprovada com os votos a favor de PSD (22 votos), Chega (cinco),
CDS-PP (dois), PPM (um), contra de PS (22) e as abstenções dos
deputados únicos da IL, PAN e BE.No
debate, o secretário das Finanças, Planeamento e Administração Pública
do executivo de coligação PSD/CDS-PP/PPM lembrou que em 2023 o saldo das
contas públicas foi de 133,4 milhões de euros negativos, “inferior em
270 milhões de euros ao registado em 2022”.O
governante enalteceu o défice de 2,5%, abaixo do valor de referência de
3%, e o rácio da dívida pública que não ultrapassou 60% do Produto
Interno Bruto (PIB).“É preciso lembrar que
os recursos são finitos, temos de ter a capacidade e a responsabilidade
de aferir a qualidade da nossa despesa pública. Isso tem de ser feito
por todos nós, naturalmente pelo governo, mas também por este
parlamento”, declarou.Duarte Freitas
defendeu ainda que é tempo de fazer uma “reflexão para diminuir a
insustentabilidade” das finanças regionais, que apresentam “défices há
mais de dez anos”, após o Governo Regional já ter “valorizado carreiras e
corrigido injustiças” na administração pública.“É
neste momento que devemos apelar a todos e a cada um de nós para
fazermos a reflexão para garantirmos a sustentabilidade das contas
públicas e o contínuo progresso da região até porque, felizmente,
estamos no período de maior dinamismo da história da economia dos
Açores”, reforçou.Por parte do maior
partido da oposição, o socialista Carlos Silva criticou o executivo
açoriano por não ter cumprido a promessa de endividamento zero e mostrou
preocupação com o défice registado, em “contraciclo” com o país e a
Madeira, que apresentaram excedentes orçamentais.“Nos
períodos em que a economia cresce devíamos ter uma almofada financeira
para tempos de crise, mas não estamos a conseguir fazer isso porque
estamos a registar défices”, salientou.O
deputado do PS questionou várias vezes o Governo Regional sobre alegados
atrasos no pagamento de salários na SATA, uma situação que o secretário
das Finanças disse não ter qualquer informação.Já
Joaquim Machado (PSD) criticou a “herança” do PS (que governou o
arquipélago entre 1996 e 2020) e a postura do Governo da República
socialista que não transferiu para a região as verbas devidas pelos
prejuízos do furacão Lorenzo, que atingiu os Açores em 2019.A
propósito do défice, o social-democrata avisou que é preciso olhar para
o tipo de despesa que foi realizada, lembrando a regularização das
carreiras dos enfermeiros, professores e a integração de precários na
administração pública.Já Francisco Lima
(Chega) denunciou que o setor público empresarial é “mal gerido” e está
“falido”, reivindicando mais facilidades para captar investimento,
enquanto Pedro Pinto (CDS-PP) elogiou a atuação do executivo regional na
“recuperação da saúde financeira” da região.Pela
IL, Nuno Barata responsabilizou o PSD por aumentos da despesa regional,
enquanto o bloquista António Lima expressou preocupação com o estado
financeiro da SATA.