Governo dos Açores pede combate a campanhas de desinformação sobre leite e carne
19 de out. de 2023, 14:28
— Lusa
“Isto
acontece: ‘o leite faz mal à saúde, a carne faz mal à saúde’. Nada mais
errado. Esta campanha organizada por muitos países existe, chegou às
nossas escolas. Enquanto profissionais e enquanto políticos temos de a
combater”, afirmou o titular da pasta da Agricultura nos Açores.O
governante falava em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, na sessão de
abertura da 23.ª edição do Congresso Nacional de Zootecnia.António
Ventura, engenheiro zootécnico de formação, alertou para as “campanhas
contra a alimentação”, que “atentam contra aquilo que não faz mal à
saúde humana” e que “é nutritivo e fundamental”.“A
desinformação da sociedade é um dos obstáculos que, todos, com
responsabilidade e abrangência, temos, hoje em dia, de atacar, no
sentido de evitar que ela ganhe terreno, que ganhe nas nossas escolas um
conteúdo que impeça que tenhamos acesso a todos os alimentos”, vincou.Também
a presidente da Associação Portuguesa de Engenharia Zootécnica (APEZ),
Ana Sofia Santos, considerou que um dos desafios da profissão é informar
o consumidor para que não seja “levado por inverdades, mitos e questões
que estão erradas”.“Não há nenhum
produtor que não goste e que não trate bem os seus animais e é
impossível termos um planeta biodiverso e sustentável sem termos animais
e sem termos produção animal. Os animais fazem parte do sistema
agrícola. Não há agricultura sem animais”, avançou, em declarações aos
jornalistas.No primeiro congresso
presencial após a pandemia de covid-19, os engenheiros zootécnicos
estarão focados sobretudo nas questões da sustentabilidade, não apenas
ambiental, mas social e económica.O
aumento dos custos de produção conjugado com a necessidade de “garantir o
fornecimento de alimentos de elevada segurança alimentar para a
população, a preços acessíveis”, é uma das principais dificuldades do
setor.“Temos desafios grandes na parte
económica e social. Prevê-se, a nível europeu, que apenas um em cada
três agricultores tenha quem o suceda e Portugal está dentro destes
números, o nosso panorama não é diferente. Isto é muito complicado.
Garantir produção agrícola e pecuária para o futuro está em causa neste
momento”, alertou.O secretário regional da
Agricultura admitiu que o consumidor está “cada vez mais atento às
questões ambientais e do bem estar animal”, mas disse que os Açores
estão a acompanhar essa tendência.“Nos
últimos três anos, aumentámos a área de agricultura biológica para mais
de 3.000 hectares, produzimos mais 600% e são mais 250% os produtores
ligados à agricultura biológica”, apontou.Numa
sessão que decorreu na Universidade dos Açores, António Ventura
defendeu ainda a implementação de uma “agenda para a investigação” na
região, “articulada entre quem constrói a política pública, quem
investiga, quem produz e quem transforma”.“É
preciso fazer mais na ligação entre a agroprodução e a ciência, entre a
produção de alimentos e a investigação aplicada. Temos estabelecido
alguns contratos de investigação com a Universidade dos Açores, mas é
preciso algo mais consistente, mais objetivo”, explicou.O Congresso Nacional de Zootecnia, que decorre até sábado em Angra do Heroísmo, não se realizava nos Açores desde 2008.Pela
primeira vez, em 23 edições, o número de inscrições ultrapassou as
vagas disponíveis, com 170 participantes, que submeteram 106 trabalhos.