Governo dos Açores pede à Comissão Europeia imunização dos açorianos
Covid-19
12 de mar. de 2021, 12:18
— Lusa/AO Online
Na
missiva enviada a Stella Kyriakides, a que a agência Lusa teve acesso,
José Manuel Bolieiro começa por referir que o “momento particularmente
difícil que se atravessa tem exigido um especial empenho das autoridades
públicas aos vários níveis de governação no sentido de adotarem as
medidas que se impõem num combate eficaz à pandemia provocada pelo
SARS-Cov 2”.“Faço-o na qualidade de
presidente do Governo dos Açores e, por esta via, de primeiro
responsável pelos destinos dos cidadãos europeus que aqui vivem. É que,
conforme terá seguramente presente, os Açores, bem como as demais
regiões ultraperiféricas, são espaços particularmente vulneráveis a
fenómenos de âmbito global pelas características que nos enformam e que
encontram tradução concreta no conceito da ultraperiferia, muito bem
plasmado no artigo 349 do Tratado de Funcionamento da União Europeia”,
escreve o líder do executivo açoriano na missiva.A 15 de fevereiro, numa resposta a questões colocadas pela eurodeputada
socialista Sara Cedras, a responsável do executivo comunitário pela
pasta da Saúde declarou que “a Comissão está empenhada em apoiar as
regiões ultraperiféricas, em conformidade com o artigo 349ºdo Tratado
sobre o Funcionamento da UE, que reconhece os seus condicionalismos
específicos devido ao seu afastamento”.Na
resposta, a comissária europeia “incentiva os Estados-Membros em causa a
garantirem que as suas regiões ultraperiféricas são abrangidas pelos
seus planos de vacinação, conforme adequado”.José
Manuel Boleiro sensibiliza a comissária europeia para o facto de “se,
por um lado, a reduzida dimensão dos Açores e o afastamento dos espaços
continentais podem sugerir um adiamento do impacto nas populações por
parte desses fenómenos, a verdade é que, a partir do momento em que eles
atingem a região, os seus efeitos são muito mais difíceis de debelar,
com consequências dramáticas no plano da saúde pública e extremamente
penalizadoras do ponto de vista económico e social”.O
presidente do Governo Regional, sabendo do “interesse já manifestado”
pela Comissária da Saúde e Segurança dos Alimentos, por via do
“compromisso assumido a uma questão do Parlamento Europeu a 15 de
fevereiro”, alude à “lentidão com que o processo de vacinação das
populações está a decorrer”, sendo que os Açores “só obtiveram meios de
vacinação que possibilitaram avançar com a primeira inoculação a apenas
6% da população”.De acordo com o
governante, “esta circunstância, tão penalizadora para a saúde pública
açoriana, acarreta igualmente gravíssimas consequências para todos os
setores económicos e sociais da região”.Daí
que, “no mais estrito espírito do disposto no Tratado sobre o
Funcionamento da União Europeia, no seu artigo 349º”, se solicite o
empenho da comissária europeia para, “atendendo às especificidades dos
Açores e das demais regiões ultraperiféricas, promover uma intervenção
direta da Comissão Europeia na disponibilização de vacinas num número
que permitam a imunização universal das nossas populações”.Além
de presidente do governo de coligação dos Açores, José Manuel Boleiro
preside neste momento à Conferência das Regiões Ultraperiféricas da
União Europeia.