Governo dos Açores lança em 2022 portal da queixa digital de ilícitos
9 de dez. de 2021, 15:37
— Lusa/AO Online
“Será, a breve trecho, criado o portal da
queixa. Este portal, que resulta do redesenho do processo de queixas,
denúncias, reclamações e sugestões da administração pública regional,
unificará os atuais canais de interação e desmaterializará o livro
amarelo de reclamações e sugestões em papel”, avançou Joaquim Bastos e
Silva.O titular da pasta da Administração
Pública falava, em Angra do Heroísmo, na abertura da primeira
conferência regional sobre “A Prevenção da Corrupção e a Transparência”,
que marcou o início da atividade do recém-criado Gabinete de Prevenção
da Corrupção e Transparência da região.Segundo
Joaquim Bastos e Silva, o novo portal, que deverá entrar em
funcionamento em 2022, financiado pelo Plano de Recuperação e
Resiliência (PRR), vai permitir denunciar alegadas atos ilícitos
“através de mecanismos práticos online” e “com anonimato”.“Passará
a existir um único ponto de entrada online para um mais fácil acesso e
escrutínio dos e pelos cidadãos, em estrito cumprimento da sua
privacidade e da proteção dos seus dados pessoais, incluindo o respetivo
anonimato”, explicou.A intenção é
alcançar “uma atuação mais proativa, mais ágil, mais eficiente e mais
eficaz das entidades públicas, com claros ganhos na promoção da
transparência e na prevenção de risco de corrupção e infrações conexas
na atuação diária da administração pública regional”, salientou.A
conferência realizada hoje, no Dia Internacional de Combate contra a
Corrupção, é a primeira ação do recém-criado Gabinete de Prevenção da
Corrupção e da Transparência, a funcionar na Inspeção Regional
Administrativa e da Transparência.Para o
secretário regional das Finanças, este gabinete, “a primeira entidade
deste tipo, com incidência na administração publica, em funcionamento a
nível nacional”, não é “a única solução” para combater a corrupção nos
Açores, mas “representa uma primeira base para a promoção da
transparência e da integridade na ação pública”.“O
que nos interessa agora é melhorar as práticas, introduzir códigos de
conduta, melhorar os mecanismos preventivos e este é um primeiro passo,
não é o passo definitivo”, referiu, à margem do evento.O
governante defendeu que é preciso “assegurar mecanismos de aplicação
eficazes, com capacidade de investigação e sanção adequadas, que
disponibilizem procedimentos claros para denunciar irregularidades e
para proteger os denunciantes”.“É de
crucial importância garantir que todos aqueles que por qualquer forma
têm contacto ou conhecimento de atos ilícitos possam dar notícia deles,
de modo simples, claro e seguro e sem riscos de perseguição ou
retaliação de qualquer tipo”, frisou.Bastos
e Silva alegou que este gabinete vem “dar uma resposta” a uma das
“preocupações centrais da sociedade”, mas rejeitou que haja uma maior
perceção de corrupção na região.“A
perceção nos Açores não é elevada, mas a preocupação dos cidadãos é
real. As pessoas não querem, principalmente numa sociedade pequena e
organizada como os Açores, que tenhamos o risco de ver situações que
vimos no passado recente em território nacional com os mais altos
dirigentes envolvidos em práticas absolutamente reprováveis. Estamos na
fase da prevenção e temos, por isso, de atacar com muita determinação
antes que qualquer coisa grave aconteça”, afirmou.O
secretário regional das Finanças disse ainda esperar que os processos
judiciais que envolvem a administração pública regional nos Açores, como
a operação Asclépio e dúvidas relativas à atuação da Associação de
Turismo dos Açores, tenham "o seu desfecho", "para bem da comunidade e
dos cidadãos".