Governo dos Açores garante que vai plantar milhares de árvores para compensar abates na construção da variante às Capelas
Hoje 12:47
— Lusa/AO Online
“O
abate será compensado com um rácio positivo de substituição através do
Projeto de Integração Paisagística. Prevê-se a plantação de milhares de
exemplares (que excede largamente o número de abates) de espécies
nativas e endémicas (Laurus azorica, Juniperus brevifolia, Vaccinium
cylindraceum, Morella faya)”, revela o executivo açoriano, numa resposta a um requerimento apresentado no parlamento açoriano pelo
PAN.A construção da variante que liga a
cidade de Ponta Delgada à zona noroeste da ilha de São Miguel e às
Capelas representa um investimento total que ultrapassa os 46 milhões de
euros, maioritariamente financiados pelo Plano de Recuperação e
Resiliência (PRR), e tem uma extensão de 8,3 quilómetros, acrescida de
uma ligação de 1,4 quilómetros à vila das Capelas.Na
sequência de uma petição pública que apelava à preservação de árvores
centenárias em risco de serem abatidas no âmbito da construção da
variante, o deputado único do PAN, Pedro Neves, questionou o executivo
açoriano, em requerimento, sobre os abates.Pedro
Neves alertou para o “impacte ambiental irreversível” do abate de
árvores de grande porte com “largas dezenas de anos”, alegando que “não é
plenamente compensado por plantações futuras ou por medidas meramente
mitigadoras”.Questionado sobre o número
global de abates previsto, o executivo açoriano adianta que nas zonas de
desmatação, que consistem em “matos densos de espécies invasoras
(Acacia melanoxylon e Pittosporum undulatum)”, a contagem individual é
“impraticável”.Nas zonas de árvores
isoladas e de alinhamento, como rotundas e bermas, “prevê-se o abate de,
aproximadamente, 158 exemplares”, sendo “a maioria espécies exóticas ou
de produção (Cryptomeria japonica, Eucalyptus spp., Populus spp.)”.Inquirido sobre
as alternativas ao abate de acácias de grande porte, o executivo revela
que “não foram avaliadas alternativas de conservação”, já que a espécie
está classificada legalmente como invasora e que a sua remoção “é uma
medida de gestão ambiental positiva”.Quanto
ao abate de árvores no nó do cerrado das covas, o executivo alega que a
medida “é estritamente necessária para garantir a construção da
infraestrutura e, fundamentalmente, para assegurar os triângulos de
visibilidade indispensáveis à segurança rodoviária na interceção”.“Desvios
significativos para evitar totalmente o arvoredo exigiriam maiores
áreas de expropriação ou a criação de traçados geometricamente perigosos
(curvas apertadas), o que violaria as normas de segurança rodoviária. A
solução adotada é a única que compatibiliza a fluidez do tráfego, a
segurança dos utilizadores e a minimização da ocupação de solos
urbanos”, aponta.O Governo Regional
acrescenta que o projeto possui uma declaração de impacte ambiental
favorável, que “valida legal e ambientalmente a intervenção proposta,
considerando as medidas de minimização e compensação associadas”.Questionado
sobre o estado fitossanitário das árvores do cerrado das covas, o
executivo adianta que “embora não exista um relatório individualizado”
para cada árvore, “as árvores de grande porte em ambiente periurbano e
de bermas de estrada apresentam frequentemente sinais de
stress radicular devido à compactação do solo e danos mecânicos
passados”.O Governo Regional acrescenta
que “os alinhamentos de álamos e plátanos antigos apresentam
frequentemente problemas de senescência, podridão interna e
instabilidade biomecânica, representando riscos de queda sobre a via”,
defendendo que “a remoção destes exemplares, além de necessária para a
obra, elimina passivos de segurança”.Quanto
à possibilidade de transplante de carvalhos e castanheiros, diz ser
“tecnicamente desaconselhado devido à baixa taxa de sobrevivência (perda
de sistema radicular) e ao risco de propagação de doenças”.Em
relação aos pomares de citrinos e amoreiras, o executivo refere que são
“culturas agrícolas e não habitats naturais” e que os proprietários
serão indemnizados para “estabelecer novos pomares em locais adequados”.Questionado
sobre as medidas de mitigação do impacte do projeto na espécie endémica
morcego dos Açores, o executivo revela que estão previstas medidas como
a prospeção de abrigos em árvores de maior porte antes do abate, a
calendarização dos abates fora das épocas sensíveis de reprodução ou a
utilização de técnicas de "abate suave" para permitir a fuga de animais.