Governo dos Açores fará “tudo o que estiver” ao alcance para salvar a SATA

7 de nov. de 2025, 17:48 — Lusa/AO Online

“Nós [Governo Regional] queremos manter a SATA Internacional [Azores Airlines] e, por isso mesmo, é que estamos neste processo de forma imposta pela Comissão Europeia, em função de uma gestão que a levou ao estado de impossibilidade absoluta de continuar a existir. E os responsáveis são, sem dúvida nenhuma, os governos até 2020. Não é de agora”, disse Berta Cabral.A governante, que falava na comissão especializada permanente de Economia, na Horta, a propósito do Plano e Orçamento dos Açores para 2026, que vai ser discutido e votado este mês, adiantou que “está a vir ao de cima toda uma situação absolutamente crítica de uma gestão, ao longo de dezenas e dezenas de anos”.“A Comissão Europeia impôs esta solução. A alternativa era bem pior. Portanto, nós estamos a querer salvar a empresa, ter a empresa em atividade nos Açores, porque consideramos que isso é importante, e vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que isso aconteça”, disse Berta Cabral, em resposta ao deputado único do BE António Lima.Questionada sobre as medidas que o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) tem para salvaguardar a mobilidade dos açorianos caso o processo de privatização falhe, a secretária regional respondeu que é preciso aguardar pelo desfecho final.“Se alguma coisa não ocorrer como nós esperamos, depois, nessa altura, havemos de agir em conformidade para repor a mobilidade dos açorianos, para garantir a normal atividade económica na região e para garantir, também, o sucesso de um setor de atividade, como é o caso do turismo”, assegurou.E prosseguiu: “Estamos atentos. Gerir é isso mesmo. Gerir não é prever tudo, nem antecipar ações. É, progressivamente, à medida que as circunstâncias exigem, ir tomando as medidas e desenvolvendo as ações consideradas mais adequadas”.Na opinião de Berta Cabral, “não vale a pena dramatizar”, apontando que a Madeira, com elevada procura turística, não tem companhia aérea.“E não faltam regiões insulares por esse mundo fora que não têm companhias aéreas para movimentar o seu turismo. Há sempre solução quando se está numa economia de mercado”, concretizou, alegando que o mercado “tem sempre forma de se reacomodar e de criar as situações de equilíbrio”.“O que está no caderno de encargos [da privatização da Azores Airlines] garante a mobilidade. Tudo o resto será, naturalmente, normal e natural, como acontece em todas as outras regiões insulares que não têm companhias aéreas”, rematou.O secretário regional das Finanças, Duarte Freitas, também disse hoje que "ninguém ainda consegue trilhar” qual será o caminho do grupo SATA se o processo de privatização da Azores Airlines falhar.Questionado pelo deputado do BE na comissão parlamentar de Economia da Assembleia Legislativa regional sobre se há uma estratégia definida caso a privatização falhe, Duarte Freitas referiu que “ninguém ainda consegue trilhar qual será o caminho” a seguir.“Nenhum de nós quer pensar se falharem todos os esforços de privatização”, frisou.Neste momento, está a ser negociada a privatização da Azores Airlines com o consórcio Newtour/MS Aviation, tendo o executivo admitido a possibilidade de uma negociação particular ou o encerramento da companhia, caso não seja possível alcançar um acordo.O Governo Regional revelou em 31 de outubro que o presidente do júri do concurso da privatização adiou para 10 de novembro o prazo para o consórcio apresentar uma “proposta firme”.Em junho de 2022, a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa para apoio à reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de euros em empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de controlo (51%).