Governo dos Açores estima taxa mais baixa do que a nacional em 2022
Crise/Inflação
26 de set. de 2022, 18:54
— Lusa/AO Online
“Estimamos que a taxa média de
inflação para 2022 nos Açores fique abaixo da taxa média nacional.
Aquilo que estimamos é que seja entre 0,5% a 1% a menos do que a nível
nacional”, revelou Duarte Freitas, na comissão da Economia da Assembleia
Regional, onde foi ouvido no âmbito de vários diplomas.A 12 de setembro, o primeiro-ministro, António Costa, disse que o Governo
está a trabalhar com um referencial de inflação em 2022 de 7,4%.Hoje,
o secretário Regional dos Açores reconheceu que a inflação mais baixa
prevista para o arquipélago não é “apenas culpa das políticas do
Governo” Regional, mas realçou a importância do diferencial fiscal no
arquipélago para mitigar a inflação.“Um
dos contributos maiores dos ponderadores da taxa de inflação tem a ver
com os produtos de combustíveis e nos Açores o crescimento foi de 16
pontos percentuais, enquanto a nível nacional foi cerca de 20 pontos
percentuais. Isto tem o seu impacto”, destacou.Duarte
Freitas falava a propósito do projeto de Decreto Legislativo Regional
apresentado pelo BE que pretende aumentar o acréscimo regional ao
salário mínimo, passando de 5% para 7,5%.O
governante não rejeitou um aumento do acréscimo regional ao salário
mínimo, mas defendeu que a matéria deve passar pela concertação social e
não deve ser “imposta”.“Se houver um
entendimento no plano dos parceiros sociais de alteração [ao acréscimo
regional ao salário mínimo], naturalmente o governo compreenderá e nada
terá a opor, mas desde de que seja feita em contexto de concertação”,
reforçou.Na comissão, foi também discutida
uma proposta do PS para a “identificação das áreas territoriais
beneficiárias para efeitos de aplicação dos estatutos dos benefícios
fiscais” na região, que pretende uma redução até 20% do IRC (imposto
sobre os lucros das empresas) em Ponta Delgada, Angra do Heroísmo,
Madalena e Horta e de até 30% nos outros concelhos açorianos.O
titular das Finanças alertou para a importância de ter uma “abordagem
quase de freguesia” para os benefícios fiscais devido às “discrepâncias”
dentro de cada concelho e defendeu que se deve “respeitar” a opinião da
Associação de Municípios dos Açores.O
membro do executivo açoriano concordou ainda com uma anteproposta de lei
do PAN (que, a ser aprovada, necessita de ser discutida na Assembleia
da República) para alterar o Código do Imposto de Rendimento das Pessoas
Singulares para isenção da remuneração complementar regional.O
Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) depende do apoio dos partidos que
integram o executivo e daqueles com quem tem acordos de incidência
parlamentar (IL, Chega e deputado independente) para ter maioria
absoluta na Assembleia Legislativa Regional.