Governo dos Açores está a “tentar aclarar” problemas no transporte marítimo
28 de mai. de 2025, 09:43
— Lusa/AO Online
Segundo o
responsável, o executivo açoriano, a AMT - Autoridade da Mobilidade e
dos Transportes e o IMT - Instituto da Mobilidade e dos Transportes
estão a "tentar aclarar alguns aspetos" que prevalecem na lei e que
estão desajustadas da atual realidade do movimento de cargas com o
continente.O Chega/Açores, num
requerimento enviado à Assembleia Legislativa Regional,
refere que "há semanas que mais de duas centenas de cabeças de gado
bovino estão retidas nas ilhas do Pico e Graciosa por falta de
transporte marítimo para que cheguem ao continente".Contactado
pela Lusa sobre esta situação, o diretor regional da Mobilidade
assegurou que mesmo que não seja possível assegurar o transporte por via
marítima de todas as cabeças de gado, "pelo menos uma parte" deve
seguir esta semana.Contudo, ressalvou, isso está "sempre dependente da capacidade de carga" do armador.No
requerimento, o Chega/Açores salienta que a situação
"está a deixar os produtores de gado bovino sem opções para manter os
animais, colocando em causa o seu rendimento".No
documento, os deputados do Chega questionam quais as companhias de
navegação que fazem o transporte de bovinos vivos e o que impossibilitou
o escoamento do gado vivo que se encontra retido há semanas à espera de
transporte."O Governo Regional tem
conhecimento do número de bovinos vivos que se encontram retidos,
nomeadamente na Graciosa e Pico, por falta de transporte para o
continente?", interrogam os parlamentares, que querem também saber se o
Governo Regional dos Açores tem feito diligências junto
das companhias de navegação para resolver o problema.Os
deputados do Chega questionam ainda se as companhias que fazem
transporte de bovinos vivos podem recusar o embarque dos animais e quais
as razões previstas na lei para essa recusa."O
Chega quer explicações sobre esta situação. É inadmissível os animais
estarem há semanas para saírem das nossas ilhas para o continente e
ninguém se responsabilizar", afirma o deputado Francisco Lima, citado
numa nota do Chega.Na semana passada, os
agricultores da ilha Graciosa apelaram ao Governo dos Açores para
arranjar uma solução alternativa ao navio que transporta gado, que se
encontra em doca seca, salientando que isso está a "afetar seriamente" o
rendimento.Numa nota, os agricultores
referiram que, "apesar de o Governo dos Açores ter conseguido que a ilha
Graciosa tivesse transportes marítimos com um toque semanal, o último
embarque de gado aconteceu há praticamente um mês (23 de abril)".Também
a Federação Agrícola (FAA), em nota de imprensa, refere que os
"constrangimentos que foram divulgados” pela Associação de Agricultores
da Graciosa, “relativos à saída de gado vivo daquela ilha são um exemplo
de que o modelo de transportes marítimos de mercadorias apresenta
falhas, para além dos atrasos e/ou alterações de rotas devido às
condições climatéricas".