Governo dos Açores espera “responsabilidade” do parlamento regional para aprovar orçamento
3 de nov. de 2021, 13:19
— Lusa/AO Online
“As
negociações já foram feitas e, por isso, já está apresentada uma
proposta de Plano e Orçamento ao parlamento. Agora haverá com certeza a
avaliação em concreto por parte dos grupos parlamentares, representações
parlamentares e deputado independente, portanto a decisão agora é do
parlamento. A minha expectativa é que, obviamente, haja de cada um
assunção da sua responsabilidade”, afirmou o presidente do Governo dos
Açores, José Manuel Bolieiro, à margem da
visita aos expositores das empresas açorianas presentes na Web Summit,
em Lisboa.Questionado sobre o possível
cenário de chumbo do Plano e Orçamento Regional para 2022, que poderá
resultar na convocação de eleições legislativas regionais nos Açores, o
social-democrata disse que o seu papel é de “um decisor e não um
comentarista”, recusando falar sobre o que acontece caso a proposta não
seja viabilizada pelo parlamento regional: “Eu sou muito dado a ocupar o
meu tempo com ocupação e não com a preocupação, a preocupação faz
perder tempo ao tempo da ocupação”.“Eu
tomei uma decisão, apresentei uma proposta de Plano e Orçamento para
2022 à assembleia, tomei decisões de fazer um esforço de
consensualização e de integração daqueles que são os principais
pensamentos estratégicos de cada um dos partidos políticos e deputado
independente. Eu, na verdade, como presidente do governo, não posso
partir para a suposição de cenários e o comentário dos mesmos".Relativamente
ao trabalho de consensualização da proposta, o social-democrata realçou
a “cordialidade institucional”, em que o Governo dos Açores
(PSD/CDS-PP/PPM) é “plural” e depende da adesão ao projeto por parte dos
partidos e dos deputados que têm um acordo de incidência parlamentar
com o executivo regional, para garantir uma governação estável.“Temos
de, obviamente, fazer cedências mútuas para encontrar um denominador
comum que garanta a estabilidade e em que os partidos, os deputados,
possam rever-se. Obviamente, ninguém se revê na plenitude. As cedências
mútuas permitem é criar um denominador comum sólido, é isso que estamos a
fazer e é, obviamente, com a humildade democrática, com a paciência
democrática, mas sobretudo também o sentido de responsabilidade. […] E
sim, tenho a expectativa de que cada um assuma as suas
responsabilidades”, reiterou.Questionado
sobre com que partidos foram feitas conversações, Bolieiro reforçou que o
processo tem decorrido “com a pluralidade, desde logo, de um governo
que é de coligação e também com os partidos e o deputado independente”.“Também
estou aberto a outras soluções, mas obviamente que os nossos parceiros
são esses, os que correspondem à coligação de governo, bem como os que
são de um acordo de incidência parlamentar, que são os nossos parceiros
privilegiados para garantir a estabilidade”, defendeu.Na
terça-feira, o líder da Iniciativa Liberal/Açores, Nuno Barata,
considerou que a proposta de Plano e Orçamento Regional para 2022
constitui uma “boa base” para dialogar, mas não é “suficiente” para um
voto favorável, faltando decidir se vota contra ou se abstém.A 26 de outubro, Nuno Barata, cujo partido detém um acordo de incidência
parlamentar com o PSD, anunciou que votaria contra os documentos se não
fosse garantido que a SATA Internacional não coloca em causa a
viabilidade financeira da SATA Air Azores, e se não se reduzisse “o
plano e o nível de endividamento previsto”, para cerca de "metade dos
cerca de 300 milhões de euros” contemplados na anteproposta.Em
resposta, o Governo dos Açores revelou, na terça-feira, que o
endividamento público dos Açores será "limitado" a 170 milhões de euros,
o “estritamente necessário” para garantir a execução de projetos
comunitários e combater os efeitos da pandemia da Covid-19. PSD,
CDS-PP e PPM, que juntos representam 26 deputados, assinaram um acordo
de governação na região. A coligação assinou ainda um acordo de
incidência parlamentar com o Chega e o PSD um acordo de incidência
parlamentar com a IL.Com o deputado do
Chega, o Governo Regional contabiliza agora 27 deputados, passando a 28
se contar com o apoio do deputado independente (eleito pelo Chega).Só
com o apoio de mais um deputado o atual executivo consegue os 29 votos
necessários para uma maioria absoluta no parlamento regional – a mesma
que levou o representante da República a indigitar o atual Governo
Regional.