Governo dos Açores espera que SATA volte aos resultados líquidos positivos em 2021
9 de out. de 2018, 17:32
— Lusa/AO Online
“As
metas a que se propõe o conselho de administração são de estabilizar
não só a operação da SATA, mas também de alguma regeneração financeira
do grupo que lhes permita, no ano de 2019 e 2020, estabilizar esta
regeneração e, em 2021, obter já resultados positivo”, disse Ana Cunha
em declarações aos jornalistas.A
titular pela pasta dos Transportes do governo açoriano foi ouvida
pela Comissão Eventual de Inquérito ao Setor Público Empresarial
Regional e Associações sem Fins Lucrativos Públicas, onde afirmou que
"há várias medidas para o alcance destas metas que já estão em curso".Segundo
a governante "o aumento do preço dos combustíveis, prejuízos
resultantes das greves e constrangimentos na operação devido a problemas
de operação" levaram "a uma exteriorização dos resultados
operacionais".“O
importante é que o diagnóstico esteja feito em relação ao que se passou
por forma a que se possa ultrapassar aquilo que foram as causas dos
resultados apresentados”, sustentou Ana Cunha.De
acordo com a secretária regional, “existem já procedimentos em curso,
como a renovação da frota e ainda melhorias que serão realizadas nos
sistemas de gestão das tripulações e até na contratação de novas
tripulações”.“As
medidas terão de ser apresentadas a breve trecho, mas existem medidas
que já estão em curso, nomadamente a renovação da frota”, reforçou.Aos
deputados da comissão, a governante disse ainda que, à data de 31 de
dezembro do ano passado, o Governo regional reconhece uma dívida de 27
milhões de euros.Ainda
de acordo com a secretária regional dos Transportes, em 2018 e “até à
presente data, foram já pagos 49 milhões de euros, dos quais 39,8
milhões de euros relativos às Obrigações de Serviço Público Interilhas e
à Gestão de Aeródromos e ainda 9,3 milhões de euros para aumento do
capital social".No corrente ano, foram já transferidos para o Grupo SATA aproximadamente mais 14 milhões de euros do que em 2017, acrescentou.O
deputado do PSD/Açores, António Vasco Viveiros, lamentou não ter havido
“qualquer esclarecimento da governante quer quanto às causas da
situação da SATA e dos prejuízos, nem tão pouco” ter sido “apresentada
qualquer medida que possa inverter a situação”.“Vamo-nos
debruçar sobre a questão da alienação de 49% da alienação do capital da
Azores Airlines e vamos solicitar que seja apresentada à comissão a
proposta apresentada pela Icelandair para um esclarecimento e um
acompanhamento do que se está a passar”, adiantou.Do
Partido Popular Monárquico (PPM), Paulo Estêvão, referiu que "a audição
foi pouco esclarecedora", alegando que a governante “não conseguiu
enunciar um conjunto de medidas que o governo tem preparado juntamente
com a empresa para solucionar os problemas” da SATA.“Este ano, só no primeiro semestre, já vamos com 32 milhões de prejuízos. Há um mau planeamento”, apontou. O
deputado do Bloco de Esquerda (BE), Paulo Mendes, sustentou ser
“importantíssimo esclarecer todo este processo de semi privatização da
Azores Airlines e que passa por chamar a comissão de acompanhamento
desta semi privatização” e solicitar “o estudo elaborado e que conduziu
ao processo” de alienação de 49% do capital social da Azores Airlines.O
deputado do PS/Açores Francisco César sublinhou que o partido
"compreende que a SATA hoje tem problemas estruturais que há que
resolver, nomeadamente ao nível de um conjunto de prejuízos que ainda
prevalecem", esperando que "com as medidas que vão ser tomadas a
situação da SATA possa melhorar"."Vamos
ouvir o presidente do conselho de administração da SATA a nosso pedido
em breve para retirar qualquer dúvida que possa existir sobre o futuro
da SATA e a privatização, mas com o recato sensato”, frisou.Números
divulgados na segunda-feira revelam que o grupo SATA SGPS teve, no
segundo trimestre deste ano, um prejuízo de mais de 38 mil euros e a
operação da SATA Internacional perdas de 28 milhões de euros.