Governo dos Açores espera não utilizar todo o endividamento previsto para 2022
5 de nov. de 2021, 16:10
— Lusa/AO Online
“A dívida
dos 170 milhões de euros será executada em função da sua necessidade”,
explicou o governante, durante uma reunião da Comissão de Economia da
Assembleia Regional, realizada na cidade da Horta, acrescentando que a
execução daquele valor “far-se-á pela sua absoluta necessidade” e não
apenas por estar inscrita na proposta de Orçamento para o próximo ano.O
governante admitiu também que o nível de endividamento público da
região para 2022 está acima daquilo que ele próprio gostaria, mas lembra
que, se não for assim, a região fica sem capacidade para aproveitar
todos os fundos comunitários que tem ao dispor.“Normalmente,
a necessidade de endividamento para cofinanciamento de fundos
comunitários situou-se, em média, nos últimos anos, nos 60 milhões de
euros”, recordou Bastos e Silva, realçando que, atualmente, com o volume
de fundos comunitários, o cofinanciamento tem aumentado, obrigando o
executivo a recorrer a um maior endividamento. O
titular da pasta das Finanças no arquipélago garantiu também que o
chumbo do Orçamento de Estado para 2022 não colocará em causa as
necessidades de endividamento dos Açores, exceto em relação à dívida de
75 milhões de euros do Serviço Regional de Saúde (SRS) a fornecedores,
que o Ministro das Finanças da República não terá querido assumir.“Não
vale a pena contar com o despacho de um Ministro que já disse ao que
veio. Ele não quer transformar esta dívida comercial em dívida
financeira”, lamentou o titular da pasta das Finanças no arquipélago.O
secretário das Finanças acrescentou que vai “aguardar pelo próximo
Ministro”, após a realização de eleições antecipadas a 30 de janeiro, na
sequência do chumbo do Orçamento do Estado e da dissolução da
Assembleia da República anunciada na quinta-feira pelo Presidente da
República, para saber se há condições para resolver o problema.Bastos
e Silva disse também que, até que seja conhecida a composição de um
novo Governo da República, o Governo dos Açores irá “gerir a dívida aos
fornecedores, de acordo com as suas disponibilidades orçamentais”. Bastos
e Silva falou também sobre as dívidas da companhia aérea SATA, apenas
para dizer que os resultados registados ao longo deste ano mostram uma
“melhoria no seu desempenho financeiro”, mas não quis revelar números.Alguns
partidos da oposição, como o PS e o BE, criticaram o que consideram ser
um “aumento do endividamento líquido” da região e a existência de
“receitas fictícias” na proposta de Plano e Orçamento do Governo para
2022.