Governo dos Açores espera assinar este ano Acordo de Parceria com concertação social
22 de mai. de 2023, 18:58
— Lusa
Após presidir à reunião da
Comissão Permanente de Concertação Social do Conselho Económico e Social
dos Açores (CESA), o chefe do executivo de coligação PSD/CDS-PP/PPM,
José Manuel Bolieiro, explicou aos jornalistas que a perspetiva é que
seja um “acordo plurianual, até 2028”, que traduza os consensos em áreas
como o investimento público, políticas fiscais, salariais ou
perspetivas de investimentos comunitários ou privados.José
Manuel Boleiro manifestou ainda a intenção de, até ao final de maio,
entregar um rascunho do documento aos parceiros sociais, para que estes,
até ao fim de junho, possam avaliá-lo, manifestar concordâncias ou
discordâncias e apresentar propostas, tendo em vista as negociações
finais para a assinatura.A intenção é que
seja assinado antes da votação do Plano e Orçamento para 2024
(habitualmente acontece em novembro), por ser “um elemento indutor”
daqueles documentos e incluir matérias que neles podem ter impacto,
justificou José Manuel Bolieiro.O acordo
abordará “políticas de investimento público, de rendimento e preços, de
caráter salarial, de tendências políticas de caráter fiscal e aportações
dos investimentos comunitários”, descreveu o governante. “São
áreas que potenciam um entendimento sobre a estratégia de
desenvolvimento dos Açores, o papel que é reservado aos parceiros
sociais e o que é reservado ao governo enquanto investidor público”,
explicou, sublinhando a “necessidade da consistência e duração das
políticas públicas”. Ainda que se
perspetive um acordo até 2028, o líder do Governo Regional disse confiar
que o documento não condicione um futuro executivo, caso seja diferente
do atual depois das eleições legislativas regionais de 2024. “Há
a necessidade de revisão proposta, que neste momento é para ser
semestral e a vontade de associar outros parceiros ao acordo inicial,
que pode não ser unânime”, indicou. Gualter
Furtado, presidente CESA, assinalou tratar-se de um “acordo inovador”,
que “representa avanço na autonomia democrática” e “a vontade que os
parceiros sociais têm de dar o seu contributo”.“Até
agora, estes acordos são desenhados e feitos no seio do Conselho
Económico e Social nacional, são aprovados pelo Governo da República e
aplicados nos Açores. Sentimos necessidade de dar o nosso contributo e
contribuir para a construção da nossa autonomia democrática”, observou o
presidente do CESA.Em representação da
Comissão Permanente de Concertação Social, José Manuel Bolieiro
manifestou “o consenso, dos outros parceiros e do CESA”, de que os
Açores não podem “prescindir que as medidas nacionais sejam aplicadas a
todo o território e a todos os portugueses”.“A
autonomia política não é um fator de desresponsabilização do Estado. É
um elemento para cooperar com o Estado para um desenvolvimento mais
coeso de todo o território de Portugal”, notou.Para
o presidente do Governo Regional “as medidas de direto esforço do
Orçamento do Estado, quando são de caráter nacional, são para aplicação a
todo o território”.“Não cedemos com as tendências para que o governo, em vez de ser de Portugal, seja do continente”, alertou.Na
sexta-feira, o presidente do Governo Regional já tinha reivindicado a
aplicação, aos Açores, de duas portarias, publicadas em Diário da
República, sobre um “auxílio estatal em apoio da economia na sequência
da agressão da Ucrânia pela Rússia” e uma “medida extraordinária de
apoio aos agricultores do continente, destinada a mitigar o efeito da
subida dos preços dos custos de produção para o ano de 2023”.José
Manuel Bolieiro referiu que “estas medidas, que têm esta invocação
relativas às opções de recurso ou de acionamento da reserva agrícola do
fundo de crise, ou da autorização europeia ao Estado para auxílios de
estado, têm que ser para todos”.