Governo dos Açores esclarece que é contra mineração em mar profundo
14 de ago. de 2024, 17:55
— Lusa/AO Online
Em resposta a um requerimento do
deputado do PAN/Açores Pedro Neves, o secretário dos Assuntos
Parlamentares e Comunidades afirma que o executivo regional “é contra a
mineração em mar profundo, considerando o elevado risco para o bom
estado ambiental e o pouco conhecimento existente a esse respeito”.Paulo
Estêvão esclarece que o Governo Regional está “perfeitamente alinhado
com a aprovação, por unanimidade, da Resolução da Assembleia Legislativa
da Região Autónoma dos Açores n.º 23/2023/A, de 23 de maio, que
recomenda uma moratória à mineração dos fundos marinhos até 2050”.“Mas,
importa ter em conta que este ato é apenas uma recomendação, não
podendo o Governo Regional dos Açores, isoladamente, determinar essa
moratória”, salienta.Segundo o governante,
as decisões do Tribunal Constitucional impedem que os Açores possam,
“livremente e com força de lei, determinar, de forma inequívoca e
irrefutável”, os seus desígnios para o mar. “Em
especial, é importante não esquecer a decisão do Tribunal
Constitucional […] que declarou a ilegalidade, com força obrigatória
geral, das normas do Decreto Legislativo Regional n.º 21/2012/A, de 09
de maio, na parte aplicável aos recursos minerais marinhos situados nas
zonas marítimas portuguesas, por violação do disposto no n.º 3 do artigo
8.º do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores”,
sustenta Paulo Estêvão no documento consultado hoje pela agência Lusa.O
Governo Regional já tinha esclarecido, em julho, que com a aprovação,
em Conselho de Ministros, de uma resolução que adota o Plano de Situação
de Ordenamento do Espaço Marítimo Nacional para a subdivisão dos
Açores, “a porta não está entreaberta à atividade de mineração” no mar
da região.Agora, na resposta ao PAN/Açores
sobre quando pensa o executivo regional executar a moratória à
mineração dos fundos marinhos, o governante responde que “a execução
está limitada”, devido ao diferendo com o Governo da República, ao que
está consagrado no artigo 8.º do Estatuto Político-Administrativo da
Região Autónoma dos Açores e do entendimento do Tribunal Constitucional.O
executivo açoriano informa ainda o PAN que não existem títulos de
utilização privativa de espaço marítimo em vigor para a mineração dos
fundos marinhos e que a Secretaria Regional do Mar e das Pescas “recebeu
apenas um pedido de informação sobre o necessário para a obtenção de
licenciamento para exploração de manganês, em dezembro de 2021”.Quanto
à estratégia do Governo Regional para se assumir no quadro
internacional como defensor e protetor dos oceanos, o secretário
regional disse que a região possui um Plano de Situação de Ordenamento
do Espaço Marítimo aprovado, “onde são estabelecidas as regras de gestão
espacial para as várias atividades que se desenvolvem no mar e que
procura acautelar a gestão dos conflitos daí decorrentes”.Por
outro lado, implementa a diretiva-quadro sobre Estratégia Marinha, “no
âmbito da qual é avaliado, em ciclos de seis anos, o estado ambiental
das águas marinhas sob gestão da região autónoma”.Quanto
à Estratégia Europeia para a Biodiversidade 2030 e dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, a região está a promover
uma revisão do Parque Marinho dos Açores e da Rede de Áreas Marinhas
Protegidas dos Açores, “que salvaguardará 30% do espaço marítimo no
curto prazo”.No dia 23 de julho, o
PAN/Açores pediu esclarecimentos ao Governo Regional relativamente à
mineração do mar dos Açores e sobre qual tem sido a participação
portuguesa junto da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos.O
partido criticou “a posição assumida pelo Governo Regional no Plano de
Situação, por adotar uma postura subserviente à República, promovendo a
agenda deste”.