Governo dos Açores equipara diploma de trabalho suplementar médico ao da Madeira
13 de jan. de 2023, 18:24
— Lusa/AO Online
“Entendemos
que com este regime, que equipara à Região Autónoma da Madeira, que era
uma das reivindicações dos médicos, teremos condições para manter os
serviços de urgência abertos na Região Autónoma dos Açores”, afirmou, em
declarações aos jornalistas, o titular da pasta da Saúde dos Açores,
Clélio Meneses, à saída de uma reunião com os sindicatos representativos
dos médicos, em Angra do Heroísmo.Segundo
Clélio Meneses, o novo diploma “não será exatamente igual” ao da
Madeira, até porque os sindicatos propuseram “algumas alterações”, mas
terá por base os valores pagos no arquipélago vizinho.“Em
regra, o que está em vigor nos Açores é mais baixo do que na Madeira e o
que se pretende é fazer essa equiparação. A nível nacional há um regime
que termina este mês, por isso, confirmando-se o que está a ser
trabalhado, na Região Autónoma dos Açores e na Região Autónoma da
Madeira os médicos têm uma retribuição superior em trabalho suplementar
do que aquilo que vigora a nível nacional”, salientou.O
novo diploma deverá estar fechado “durante a próxima semana”, sendo
depois aprovado em Conselho de Governo e levado à Assembleia Legislativa
dos Açores.“Os pontos fundamentais deste
diploma estão a ser consensualizados. Durante a próxima semana, a nossa
perspetiva é que se consiga fechar este diploma para que se siga o seu
processo legislativo de forma a entrar em vigor, com efeitos a 01 de
outubro de 2022”, disse o governante.Na
reunião estiveram também presentes representantes da secretaria regional
das Finanças, mas Clélio Meneses não adiantou o valor necessário para
efetuar a alteração do diploma, alegando que, “tendo em conta algumas
reivindicações apresentadas”, será necessário “refazer o exercício
contabilístico e orçamental”.Anabela
Lopes, do Sindicato dos Médicos da Zona Sul, admitiu que algumas das
reivindicações do sindicato “não vão ser 100% garantidas”, mas ressalvou
que o novo diploma será “melhor” do que o anterior.A
sindicalista sublinhou que não estão em causa apenas os valores pagos
por hora extra, mas a "melhoria de condições de trabalho”.“Temos
razões de fundo. Durante estes anos todos, em especial na altura da
[pandemia de] covid, trabalhámos muito sem pedir nada. Está na altura de
pedirmos alguma coisa para melhorarmos as condições de trabalho, as
nossas condições económicas e, acima de tudo, a nossa satisfação ao
final do dia”, salientou.Também André
Frazão, do Sindicato Independente dos Médicos, disse não sair
“totalmente satisfeito” da reunião, mas reconheceu que o executivo
aceitou algumas propostas do sindicato, como a “diferenciação dos
valores em função da categoria de cada médico”.“O valor não está fechado, mas nós queríamos mais”, admitiu.Executivo
e sindicatos assinaram ainda um protocolo de ‘mesa negocial’, com vista
a rever alguns aspetos da carreira médica, como a avaliação de
desempenho, a contagem de pontos, o regime de horas de trabalho,
os regimes de exclusividade e o sistema de incentivos à fixação de
médicos.O decreto legislativo regional que
procede à organização do trabalho médico suplementar nos serviços de
urgência e de atendimento permanente nos Açores, que reforçou o valor
pago por hora extra, entrou em vigor em 11 de novembro de 2022, mas dias
depois da publicação o presidente do executivo açoriano
(PSD/CDS-PP/PPM), José Manuel Bolieiro, anunciou que o diploma seria
revisto.Os médicos queixavam-se de que os
valores do trabalho suplementar na região eram inferiores aos pagos na
Madeira e no continente.Na sequência de
afirmações do vice-presidente do executivo açoriano, Artur Lima, que
disse que os médicos não podiam “usar o dinheiro como moeda de troca
para dispensar” a prestação de cuidados, cerca de 400 profissionais
manifestaram indisponibilidade para fazer mais do que as 150 horas de
trabalho extraordinário obrigatórias por lei, reclamando um pedido de
desculpas.Após negociações com o
presidente do Governo Regional e a demissão da presidente do conselho de
administração do Hospital de Ponta Delgada, alguns médicos aceitaram
trabalhar acima das 150 horas extra e foi possível assegurar as
urgências hospitalares na região.