Governo dos Açores envia carta a ministra do Ensino Superior a contestar redução de contingente
12 de jan. de 2023, 11:16
— Lusa/AO Online
“O senhor
presidente do Governo [Regional] encarregou-me, enquanto titular desta
área, de enviar à senhora ministra da Ciência uma carta a dizer que é
uma situação inaceitável, que prejudica a Região Autónoma dos Açores,
que é discriminatória, que viola o princípio da continuidade territorial
e da coesão territorial”, afirmou, em declarações à Lusa, o
vice-presidente do executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM), Artur Lima, que
tutela as áreas da Ciência e Tecnologia.Na sexta-feira, o jornal Público revelou que, no âmbito da revisão do modelo de acesso ao ensino superior, o Governo pretende reduzir as vagas destinadas aos alunos dos Açores e da Madeira no ensino superior do continente.Assim,
cada um dos contingentes especiais para candidatos oriundos das regiões
autónomas passará a ter 2% das vagas reservadas em cada curso, sendo
que, atualmente, 3,5% dos lugares estão guardados para alunos da da
Madeira e dos Açores, segundo a proposta.Artur
Lima já se tinha pronunciado contra a redução, na terça-feira, mas
remeteu a decisão sobre possíveis ações do executivo açoriano para uma
reunião que teria com o presidente do Governo Regional, José Manuel
Bolieiro.Segundo o governante não houve,
desde então, qualquer contacto do Governo da República (PS) com o
Governo Regional, por isso o executivo açoriano decidiu enviar uma
missiva à ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.“Vamos
fazer chegar à senhora ministra uma carta com a nossa posição
institucional, dizendo à senhora ministra que isto é uma atitude
absolutamente discriminatória, que vai contra até um desígnio do próprio
Governo da República de aumentar o número de licenciados na população
portuguesa”, reiterou.O PS/Açores disse que a intenção do Governo da República de reduzir o contingente de
vagas no ensino superior para alunos das regiões autónomas não vai
avançar, manifestando-se "indignado" com a proposta.O
vice-presidente do executivo açoriano mantém, ainda assim, a intenção
de esclarecer o assunto com a ministra do Ensino Superior.“Os
deputados na Assembleia da República, independentemente do partido que
sejam, têm de fazer o seu papel e esperamos que o façam na defesa da
Região Autónoma dos Açores – foi para isso que foram eleitos –, mas o
Governo Regional não vai deixar este assunto nas mãos dos senhores
deputados”, frisou.O titular das pastas da
Ciência e Tecnologia nos Açores disse que o Governo Regional “não
aceita, de modo nenhum, esta decisão” e que vai “afirmar com muita
firmeza” que a região necessita de uma “discriminação positiva e não
negativa” no acesso ao ensino superior.Artur
Lima defendeu mesmo o aumento do número de vagas reservadas para alunos
açorianos, alegando que a região tem “a mais baixa taxa de frequência
do ensino superior do país”.“Para nos
aproximarmos da média nacional e da média europeia, o conveniente seria
até aumentar este contingente. Isto é que é tratar de modo diferente
aquilo que é diferente e com equidade, coisa que não acontece desde esse
momento”, sublinhou.