Governo dos Açores elabora Plano Estratégico das Migrações 2027-2037
Hoje 13:53
— Lusa/AO Online
Segundo o presidente
do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro, o plano 2027-2037 será
executado com a audição de todos os que “fazem o pensamento crítico e a
estratégia proponente do valor dos Açores”, para valorização do
arquipélago.“Hoje, com as vossas
intervenções, já poderemos considerá-las a primeira ajuda, reflexão e
aportação estratégica no contributo que queremos de todos para
elaboração desse Plano Estratégico de Migrações que começa hoje”, disse o
líder do Governo Regional na sessão de abertura do III Conselho da
Diáspora Açoriana, no Palácio da Conceição, em Ponta Delgada, na ilha de
São Miguel.Na sua intervenção, disse que o contributo dos presentes “será, com todos os outros, decisivo” para o projeto hoje iniciado.“E,
por isso, não faremos ao acaso e de forma avulsa as demonstrações do
que possam ser as nossas iniciativas futuras. Elas integrar-se-ão num
plano estratégico e que tem, obviamente, um objetivo de valorização, de
descoberta, de inovação e de reforço da nossa ligação global e mundial”,
vincou.José Manuel Bolieiro adiantou que o
Plano Estratégico das Migrações “quer envolver não apenas a componente
emigratória, aliás, felizmente mais reduzida, mas também a componente
imigratória e de regressos e retornos”, fruto do impulso de
desenvolvimento dos Açores e da atual capacidade de retenção e de
atração de pessoas.“E a vossa aportação é
decisiva e importante nessa matéria”, rematou, referindo-se aos
representantes da diáspora que o escutavam.No
seu discurso, o líder do executivo de coligação também falou dos
desafios que se colocam aos Açores, referindo que “fruto de um excesso
de centralismo”, muitas vezes, foram “ignorados por decisões globais e
nacionais”.“Creio que estamos numa fase em
que podemos mudar essa mentalidade. À visão da pequenez e da distância
podemos, agora, contrapor a visão da grandeza e da centralidade. É, por
isso, que tenho procurado incentivar a exaltação da nossa História em
nome do potencial do nosso futuro”, afirmou.Bolieiro
destacou que os Açores são “grandiosos”, apesar da dimensão terrestre e
da geografia: “Não são, na atualidade, os 240 mil residentes, que são a
dimensão demográfica da açorianidade. É - estes residentes em cada uma
das nossas ilhas -, associada à demografia da nossa diáspora que,
afinal, nos dá uma enorme grandeza”.No
entanto, reconheceu que nem sempre o país, a União Europeia e,
“porventura, nem o mundo”, reconhecem “esta dimensão”, indicando, como
exemplo, que o mar dos Açores corresponde a 51% do mar de Portugal.“E
isso, já é representativo de uma dimensão grandiosa que, muitas vezes,
nós não consideramos. Com o valor estratégico que isso tem e representa
para o contexto geopolítico global, como até para o imaginário
prospetivo das economias do futuro ligadas à transição digital, à
transição climática, à transição energética”, vincou.O
presidente do Governo Regional açoriano referiu, ainda, entre outros
aspetos, as potencialidades e os recursos da região, relacionados com a
economia azul e o espaço.O Conselho da
Diáspora Açoriana está hoje reunido em sessão plenária, em Ponta
Delgada, numa iniciativa promovida pela Secretaria Regional dos Assuntos
Parlamentares e Comunidades, através da Direção Regional das
Comunidades.Este órgão consultivo do
Governo dos Açores foi instituído em 2019 e eleitoralmente constituído
em 2021, visando assegurar a participação, colaboração e auscultação de
representantes das comunidades açorianas dispersas pelo mundo.Na
quarta-feira, os conselheiros da diáspora açoriana deslocam-se às ilhas
Terceira e Faial para um conjunto de visitas institucionais e
culturais.