Governo dos Açores diz que tem de investir sozinho em estação geodésica das Flores

6 de set. de 2022, 17:18 — Lusa/AO Online

“Nas Flores, a região pretende aumentar as funcionalidades dentro das possibilidades financeiras, porque não há interesse dos parceiros internacionais na ilha das Flores. Terá de ser a região a assegurar, sozinha, o aumento das capacidades da estação da ilha das Flores”, disse o subsecretário regional da Presidência do executivo açoriano.Faria e Castro falava no plenário da Assembleia Legislativa Regional, que começou hoje na cidade da Horta, respondendo a questões feitas por Alexandra Manes, deputada do BE, no âmbito de uma sessão de perguntas ao governo sobre a ilha das Flores, agendada a pedido da Iniciativa Liberal.“Não há qualquer desinteresse da região [na estação geodésica das Flores]. Há é uma dificuldade diferente da da ilha de Santa Maria: na ilha das Flores, terá de ser a região a assumir o encargo”, explicou Faria e Castro. O governante lembrou que a RAEGE “funciona com base num memorando da região com o Instituto Geográfico Nacional de Espanha” que levou, em 2017, à instalação de uma estação geodésica em Santa Maria. “Nas Flores, foi por interesse da região que foram instalados alguns equipamentos com o objetivo de também montar uma antena igual à de Santa Maria. A de Santa Maria foi paga pelos espanhóis, a região assumiu encargos quase nulos até agora”, observou Faria e Castro. A estação da ilha de Santa Maria da Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais (RAEGE) foi inaugurada em maio de 2015 tendo em vista a realização de estudos com aplicações em áreas como a proteção civil ou a indústria espacial.Na ocasião, a estação da ilha de Santa Maria era uma das quatro estações que integram a RAEGE e a segunda que estaria em funcionamento, depois de ter sido inaugurada a de Yebes, Gualajara, Espanha.Previa-se, então, que a terceira estação ficasse no arquipélago das Canárias (Espanha), em construção, e a quarta na ilha das Flores, nos Açores, com conclusão prevista para 2017, segundo informação revelada em 2015 à agência Lusa pelo Governo Regional açoriano.A construção destas estações para realização de estudos de astronomia, geodesia e geofísica resultou de um protocolo entre o Governo dos Açores e o Governo espanhol, através do Instituto Geográfico Nacional de Espanha, assinado em 2010, e que previa um investimento global de 25 milhões euros, cofinanciados por fundos europeus.A estação de Santa Maria, equipada "com tecnologia de ponta, única no país", inclui um radiotelescópio VLBI (interferometria de base muito longa).Trata-se de uma antena de 13 metros de diâmetro que terá capacidade para monitorizar, por exemplo, o movimento das placas tectónicas e o posicionamento de estações espaciais ou medir a orientação e rotação da terra em relação às estrelas.Os dados recolhidos por esta estação são considerados essenciais para detetar movimentos associados, por exemplo, a sismos, sendo a tecnologia que hoje mede com maior precisão esse tipo movimentos.